Justiça dá nova decisão impedindo cremação de corpo do ex-capitão Adriano da Nóbrega

Carolina Heringer

O juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio, deu uma nova decisão na tarde desta quarta-feira proibindo que o corpo do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega seja cremado. Na madrugada dessa quarta-feira, um pedido da família do ex-policial militar já havia sido negado no Plantão Judiciário do Rio. A mãe e as irmães de Adriano tinham entrado com uma solicitação para que a Justiça autorizasse a cremação do corpo miliciano, o que foi indeferido pela juíza Maria Izabel Pieranti.

A decisão da tarde desta quarta-feira foi tomada no processo referente à Operação Intocáveis, desencadeada pelo Ministério Público estadual do Rio em janeiro do ano passado, e na qual Adriano era alvo. O pedido foi peito pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ). “A toda evidência, em se tratando de óbito não advindo de causas naturais, mas decorrente de disparo de arma de fogo, a cremação só poderá ocorrer após a realização de todas as diligências e confecção de todos os laudos periciais necessários para elucidação de tais circunstâncias”, afirma o MP no documento enviado à Justiça.

O juiz Gustavo Kalil determinou que a cremação do miliciano seja suspensa até que seja encaminhada para o Rio toda a documentação de sua morte pelas autoridades da Bahia. O magistrado determinou que todos os crematórios do Rio sejam comunicados da decisão.

Também foi determinado pelo magistrado a suspensão do processo no qual a família de Adriano solicitava autorização para a cremação de seu corpo. Em sua decisão no Plantão Judiciário, a juíza Maria Isabel Pieranti havia negado o pedido por entender que o mesmo não se adequava á legislação. Além disso, a magistrada constatou a falta de alguns documentos à solicitação, como Guia de Remoção de Cadáver e Registro de Ocorrência, além de ter ressaltado que a cremação de Adriano poderia inviabilizar possiveis “providências” a serem tomadas pela autoridade policial com o intuito de melhor esclarecer a sua morte.

O corpo de Adriano chegou ao Rio na noite dessa terça-feira. O miliciano foi morto na manhã do último domingo, em uma fazenda na cidade de Espalanada, na Bahia, a 170 quilômetros de Salvador. A previsão era de que Adriano fosse cremado nessa quarta-feira no Crematório do Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, Zona Portuária do Rio, mas a família teve seu pedido indeferido pela Justiça. As decisões judiciais não impedem que o corpo do miliciano seja enterrado. O corpo do miliciano permanece em uma funerária.