Justiça da Bolívia determina 4 meses de prisão preventiva para governador de oposição

A Justiça boliviana determinou na madrugada desta sexta-feira a prisão preventiva por quatro meses de Luis Fernando Camacho, governador do departamento de Santa Cruz, o estado mais rico do país, e um dos principais opositores do presidente Luis Arce. Detido desde quarta-feira, o político é investigado no processo conhecido como Golpe de Estado 1, em que dirigentes do movimento que levou à queda do então presidente Evo Morales, em novembro de 2019, são investigados pelo suposto crime de terrorismo.

Após uma audiência de quase sete horas, o juiz Sergio Pacheco determinou que Camacho fique os quatro meses na prisão de segurança máxima de Chonchocoro, em La Paz, dois meses a menos do que o solicitado pelo Ministério Público. O governador foi levado para a capital assim que foi preso em Santa Cruz de la Sierra, mas até agora estava detido na sede da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc) da polícia nacional.

O líder opositor foi trasladado para Chochocoro com escolta policial por volta de 2h30 (3h30 no Brasil). Sua defesa recorreu da decisão judicial, disse o advogado Carlos Ledezma logo após a audiência, e aguarda o resultado de um pedido de habeas corpus que será analisado ainda nesta sexta-feira.

Por meio de sua equipe de comunicação, Camacho afirmou que a prisão preventiva é "obscura, abusiva, atentatória e incongruente". Segundo Ledezma, a Justiça ignorou atestados médicos, as forças de segurança não permitiram que o governador recebesse soro e impediu que seus advogados fossem ao Felcc para visitá-lo.

Camacho enfrenta ao todo cerca de oito processos judiciais, todos eles em La Paz, e alguns abertos há anos — até agora, contudo, o MP nunca havia conseguido que ele fosse à capital prestar depoimento. O governador exigia responder às ações em Santa Cruz, onde é bastante popular e os promotores regionais não concordam com as principais acusações que enfrenta.

A região vê protestos desde que o governador foi preso, e o Comitê Cívico de Santa Cruz, que reúne os empresários e integrantes da elite local, decretou uma paralisação que começou à 0h desta sexta-feira exigindo a "libertação imediata do governador". Disse também que respalda a decisão de bloquear rodovias que ligam o estado ao resto do país, citando a necessidade de evitar novos "sequestros", como vem se referindo ao que aconteceu com Camacho.

Eleito governador em março de 2021, Camacho comanda o segundo maior bloco da oposição no Parlamento, o Acreditamos, atrás do partido Comunidade Cidadã (CC), do ex-presidente Carlos Mesa. O MAS do presidente Arce, ex-ministro da Economia de Morales, é a principal força legislativa. Em 2020, Camacho disputou a Presidência, mas ficou em terceiro lugar, com 14% dos votos, contra 55% de Arce e 28,8% de Mesa.