Catalunha volta ao toque de recolher diante da escalada de casos de covid

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(Arquivo) Algumas poucas pessoas andam nas ruas de Barcelona, em 26 de outubro de 2020, em meio ao toque de recolher impostos para conter a covid-19 (AFP/Josep LAGO)

A Catalunha começará a adotar entre a noite desta quinta-feira (23) e a madrugada de sexta um toque de recolher em grande parte de seu território, depois de a medida receber luz verde da justiça, enquanto a Espanha retoma a obrigatoriedade das máscaras ao ar livre diante de uma escalada de casos de covid-19.

O Tribunal Superior da Catalunha anunciou que "ratifica as medidas de proteção da covid-19 solicitadas" pelo governo regional catalão, que também incluem o fechamento das discotecas e a limitação das reuniões privadas a um máximo de dez pessoas.

O governo regional da Catalunha solicitou autorização judicial para aplicar este toque de recolher de 1h a 6h, nas localidades onde a incidência passar de 250 casos por cada 100.000 habitantes em sete dias. Hoje, isso abarca boa parte dessa região no nordeste do país, com 7,8 milhões de habitantes.

A lotação dos restaurantes será reduzida a 50% da capacidade e a de espaços culturais e esportivos, a 70%.

Por afetarem liberdades fundamentais, estas restrições precisavam de autorização judicial. Elas entrarão em vigor na noite desta quinta-feira. Inicialmente, estão previstas para durar 15 dias nesta zona turística.

A Catalunha, única região espanhola com toque de recolher, uma medida que vigorou em todo o país até maio passado, tem 30% dos leitos de terapia intensiva ocupadas por pacientes com covid-19, a taxa mais alta do país, o dobro da média nacional, segundo cifras do ministério da Saúde, publicadas na quarta-feira.

- Máscara obrigatória -

As medidas na Catalunha entrarão em vigor depois que o governo central adotou nesta quinta-feira um decreto para restabelecer a obrigatoriedade do uso de máscara ao ar livre em todo país, enquanto a Espanha registrou um recorde diário de 72.912 contágios em 24 horas.

A medida sobre as máscaras, que entrará em vigor na sexta-feira e que o governo do socialista Pedro Sánchez diz ser "temporária", tem algumas exceções, como para quem pratica esportes, ou esteja "em um espaço natural", como campo ou praia, e a distância possa ser mantida, detalhou a ministra da Saúde, Carolina Darias, em entrevista coletiva nesta quinta-feira.

O retorno do uso da máscara ao ar livre foi a medida mais concreta anunciada na quarta-feira à noite, no encerramento de uma reunião extraordinária entre o governo central e os executivos regionais, competentes na Espanha em matéria de saúde pública.

A decisão foi adotada com "a prática unanimidade" das regiões, defendeu a ministra Darias.

A presidente de Madri, a conservadora Isabel Díaz Ayuso, descartou nesta quinta-feira a aplicação de novas restrições em sua região.

- Ômicron "será dominante" -

Um dos países líderes em vacinação, com 80% de sua população imunizada, a Espanha enfrenta, como muitos outros, uma nova onda de covid-19 em meio à propagação da variante ômicron, mais contagiosa.

A ômicron "será dominante em pouco tempo", previu Darias.

Algumas regiões espanholas exigem certificado sanitário para permitir a entrada em certos locais públicos, enquanto outras, como Madri, se recusam a fazê-lo.

A incidência de covid-19 na Espanha é de 911 casos por 100.000 habitantes em 14 dias, uma cifra mais de quatro vezes maior à que tinha em 1º de dezembro.

De qualquer forma, esta nova onda parece menos grave do que outras anteriores: 16,27% das unidades de terapia intensiva estão ocupadas por pacientes com covid, contra 30% em meados de janeiro de 2021, segundo dados do Ministério da Saúde.

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