Justiça decide manter prisão preventiva de Allan Turnowski, diz advogado do delegado

A Justiça do Rio decidiu manter a prisão preventiva do ex-secretário de Polícia Civil Allan Turnowski após audiência de custódia realizada na tarde deste sábado (10), na Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. A informação foi confirmada pelo advogado do delegado e candidato a deputado federal pelo Partido Liberal (PL). Turnowski foi preso em casa, na manhã de sexta-feira (9), acusado de envolvimento com o jogo do bicho e participação em organização criminosa.

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Advogado de Allan Turnowski, Fernando Drummond diz que o resultado da audiência de custódia não surpreende, e que a decisão teve como base "diálogos de terceiros, fora do contexto".

— A audiência foi como o esperado porque não examina nenhuma questão do processo, apenas diz se a prisão é legal ou não. E ela foi mantida. Mas a defesa declara que a decisão é baseada em diálogos de terceiros, fora do contexto e de 2016, quando Allan sequer estava na polícia. A gente espera que a justiça reverta essa decisão em breve. Nós vamos apresentar novo recurso de habeas corpus. A defesa vai continuar na sua luta para conseguir a liberdade do Dr. Allan — afirma o advogado.

Depois da prisão, o ex-secretário passou o dia na Corregedoria da Polícia Civil. Em seguida, passou por exames no Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, e foi transferido para a Cadeia Pública Constantino Cokotós, em Niterói, onde ficam presos os policiais civis. A prisão de Turnowski foi feita por agentes do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio.

Na casa do ex-secretário, os agentes apreenderam armas, como um fuzil. Os promotores afirmaram que vão investigar se o armamento era usado para a escolta de Turnowski. Ainda de acordo com a promotoria, equipes encontraram também vários celulares e dezenas de materiais como agendas com anotações.

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Também foi alvo de busca e apreensão o delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, ex-chefe do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa e que é candidato a deputado estadual pelo Podemos. Os mandados foram expedidos pelo juiz Bruno Rulière, da 1ª Vara Criminal Especializada.

Pedido de Habeas Corpus negado

Na noite de sexta-feira, o desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, da Sétima Câmara Criminal negou o habeas corpus em favor do ex-secretário. Na decisão, Joaquim Domingos justificou a recusa da liminar argumentando que "verifica-se que a motivação do Magistrado para decretar a prisão preventiva ao paciente se baseou em dados concretos, não se verificando, de plano, qualquer vício de fundamentação, amoldando-se esta ao comando do art. 93, inc. IX, da Constituição Federal."

O desembargador não aceitou a justificativa dos advogados de Allan Turnowski, que alegaram cerceamento de defesa, pelo fato de não terem anexado ao habeas corpus a decisão do magistrado que determinou a prisão do delegado. Para Joaquim Domingos de Almeida Neto, "não estão presentes os pressupostos autorizadores da medida liminar requerida".

A defesa do delegado, no entanto, diz que vai entrar com novo recurso. O advogado Fernando Drummmond afirmou que precisa finalizar a análise do documento de acusação expedido pela justiça de mais de 300 páginas, ao qual ele afirma ser “uma verdadeira peça fantasiosa”.

— Com certeza vamos entrar com um novo pedido de habeas corpus. Só não posso afirmar em qual momento exato isso será feito. Pois ainda preciso avaliar os desdobramentos que irão acontecer hoje — afirmou Fernando.

Ligações com o jogo do bicho

O juiz Bruno Rulière, da 1ª Vara Criminal Especializada, também decretou a prisão de Marcelo José Araujo de Oliveira e do delegado Maurício Demetrio, que está na cadeia desde o ano passado e agora está sendo acusado de organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional. Os dois são suspeitos de ligação com Iggnácio. Demetrio operava como um braço da quadrilha do bicheiro Fernando Iggnácio na Polícia Civil, enquanto Turnowski agia como agente duplo, atuando em favor de Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio, que eram rivais. Demetrio, afirma o Gaeco, também negociava com políticos a nomeação de aliados para cargos estratégicos na Polícia Civil.

O acesso ao conteúdo de 12 celulares apreendidos com Demetrio revelou que o policial era peça-chave de um esquema de corrupção e de aparelhamento político na área de segurança pública no Rio. A 1ª Vara Especializada em Crime Organizado decretou a prisão de Demetrio e de Turnowski, a pedido do MP depois que as investigações apontaram que ambos agiam em benefício de contraventores.

Na operação de ontem, que ganhou o nome de Águia na Cabeça, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços de Turnowski; de Marcelo; do delegado Antônio Ricardo Lima Nunes, ex-chefe do Departamento-Geral de Homicídios e Proteção à Pessoa e hoje candidato a deputado estadual pelo Podemos; do inspetor Alexandre de Souza Baesso; e do ex-policial civil Jorge Luiz Fernandes, apontado como comparsa de Rogério.

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