Justiça decreta prisão de traficante Peixão e mais seis por ataques contra religiosos de matriz africana

Marcos Nunes
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Integrante da cúpula de uma das principais facções criminosas do Rio, o traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, e outras seis pessoas, incluindo uma mulher, tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça e estão sendo procurados pela polícia. A quadrilha foi acusada por promotores do Grupo de Atuação Especial ao Combate ao Crime Organizado, da 1ª Promotoria de Investigação Penal dos Núcleos de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, de promover uma série de ataques armados a terreiros e a pessoas de religiões de matriz africana, na Baixada Fluminense, entre 2016 e 2019. De acordo com a denúncia dos promotores, em alguns casos, a ordem de Peixão para atacar e depredar os templos foi transmitida a partir de aplicativos de celulares ou por telefonemas.

Os bandidos tiveram as prisões decretadas pelos juízos da 1ª Vara Criminal de Nova Iguaçu e pela 2ª Vara Criminal de Caxias, municípios onde os ataques ocorreram. Eles vão responder por crimes de preconceito de raça ou cor, constrangimento ilegal, tortura, corrupção de menores, ameça e dano. De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro(MPRJ), o bando que controla o tráfico em Vigário Geral, Parada de Lucas e Cidade Alta, na Zona Norte do Rio, e nas comunidades do Buraco do Boi, em Nova Iguaçu, e Parque Paulista, em Caxias, proibiu que pais e mães de santo propagassem a religião de matriz africana. O motivo da proibiçao seria porque Peixão teria se convertido a uma outra religião.

Um dos ataques ocorreu no dia 11 de julho de de 2019, no Parque Paulista. Dias após ordenar que um centro de candomblé cessasse as atividades, bandidos armados invadiram o local e destruíram todos os objetos religiosos que estavam no terreiro. Durante a invasão, os traficantes do grupo de Peixão ainda obrigaram uma idosa de 85 anos a carregar nas costas uma cruz de madeira, que foi levada para fora do templo.


De acordo com a denúncia, em uma das vezes, Peixão ordenou que três homens, acompanhado por um menor, rendessem um pai de santo e os frequentadores de um templo de candomblé, também localizado no bairro Parque Paulista. Durante o ataque, os bandidos ainda exigiram que todos os terreiros da localidade fossem fechados. Em outra ocasião, segundo o MPRJ, os criminosos, que se autodenominam “Bandidos de Jesus”, invadiram outro terreiro, gritando e ameaçando os participantes, que na ocasião, foram proibidos de andar de roupa branca na localidade .

Esta não é primeira vez que Peixão tem a prisão decretada pela Justiça.Álvaro Malaquias Santa Rosa tem em seu nome outros há ainda outros nove mandados de prisão expedidos pelo Tribuna de Justiça do Rio, a maior parte deles por crimes de tráfico e homicídio.