Justiça determina exclusão de fake news sobre Stédile publicada por general bolsonarista

FÁBIO ZANINI
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  09-07-2018 - Paulo Chagas. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 09-07-2018 - Paulo Chagas. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça determinou que o Facebook exclua postagem em que general reformado Paulo Chagas, aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), dissemina fake news e ataca João Pedro Stédile, fundador e membro da direção nacional do MST.

Em abril de 2019, Chagas foi alvo de operação de busca e apreensão da Polícia Federal no âmbito do inquérito das fake news, sob relatoria do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Na ocasião, seu computador foi levado e suas redes sociais, bloqueadas.

Em sua publicação de 28 de setembro, Chagas dizia, sem apresentar qualquer indício ou prova, que a PF estaria investigando MST e ONGs ligadas a Stédile por participação em incêndios criminosos no Pantanal. Também escreveu que Stédile vive na Venezuela e que tem grupo terrorista ligado a Nicolas Maduro —o que também não é verdade, ele mora em São Paulo.

O bioma já havia tido um quarto de sua extensão devastada por incêndios do início deste ano até o último outubro.

A juíza Elaine Faria Evaristo, da 20ª vara cível do Tribunal de Justiça de São Paulo, destacou que a publicação de Chagas "promove conteúdo inverídico" e imputa a Stédile a "prática de crime, classificando-o como terrorista". Por isso, ordenou a exclusão.

À reportagem Stédile diz que "a decisão da juíza representa uma barreira à difusão de mentiras pela internet."

"Mas o que chama atenção é a insanidade desse pessoal, um general deveria ter uma formação mais solida e um comportamento mais responsável. Infelizmente, todos dias assistimos esse tipo de comportamento de militares no governo Bolsonaro, expostas na midia ou nas redes sociais, que envergonham as Forças Armadas e ao povo brasileiro, que os paga", completa.

Chagas foi o candidato do bolsonarismo pelo PRP ​ao governo do Distrito Federal em 2018, mas não se elegeu.

Reportagem do jornal Folha de S.Paulo mostrou que ele e outros militares com influência no governo Bolsonaro têm sido escalados por multinacionais de armas e de equipamentos de guerra para fazer lobby comercial no Ministério da Defesa.