Justiça determina o bloqueio de R$ 53 milhões em bens do ‘QG da propina’ de Crivella

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Foto: Gabriel de Paiva

Num momento em que a crise sanitária e econômica associada à pandemia se intensifica na cidade do Rio, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) teve sua prisão preventiva decretada ontem, nove dias antes de deixar o cargo, acusado de ser o “vértice” de uma organização criminosa batizada de “QG da propina” que teria causado prejuízos de R$ 53,7 milhões à administração pública. Crivella chegou a ser levado para o presídio de Benfica, mas ainda na noite de ontem o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, determinou que o prefeito afastado fique em prisão domiciliar e use tornozeleira eletrônica.

O “QG da Propina” teria contado com a concordância de Crivella e arrecadado mais de R$ 50 milhões em propinas pagas por empresas que, em troca dos montantes destinados aos envolvidos, ganhavam facilidades em contratações da prefeitura. Os repasses variavam de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões e eram feitos a empresas “laranjas”, indicadas pelos membros da organização criminosa indicada pela promotoria.

Para repor o montante movimentado pelo “QG da Propina” aos cofres públicos, o TJ determinou ontem o bloqueio de bens dos denunciados. Duas mansões, uma embarcação, 280 bois e 98 cavalos de raça foram tomados em diferentes cidades fluminenses e ficarão sob custódia da Justiça até o fim das investigações e do processo. Segundo as investigações, Crivella participava ativamente do esquema. O MP listou 24 pontos que provariam a ligação do prefeito afastado com o grupo, entre depoimentos, trocas de mensagens, documentos assinados por ele, indicações para cargos e pagamentos milionários para empresas com a interferência de Rafael Alves.

As investigações também apontam para a participação de Arthur Soares Filho, o Rei Arthur, alvo da Lava-Jato do Rio, no esquema. Já o marqueteiro Marcelo Faulhaber, que participou da campanha de Paes este ano, foi denunciado por integrar o esquema no período em que atuou informalmente na gestão de Crivella, depois de trabalhar para sua eleição em 2016.

A determinação para que Crivella fosse preso partiu da desembargadora Rosa Guita. Foi ela quem recebeu uma denúncia com 453 páginas oferecida pelo MP contra Crivella e outras 25 pessoas. Entre elas, tiveram prisões decretadas o empresário Rafael Alves, homem de confiança do prefeito e indicado pelo MP como operador do esquema criminoso; o ex-senador Eduardo Benedito Lopes; o delegado aposentado Fernando Moraes; o ex-tesoureiro Mauro Macedo e os empresários Cristiano Stokler e Adenor Gonçalves. Lopes não foi localizado e é considerado foragido. Crivella e os demais investigados passaram por audiências de custódia na tarde de ontem, na qual as prisões foram mantidas.

Com a prisão de Crivella, o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (DEM), assumiu a prefeitura do Rio interinamente, como já ocorre no governo do estado desde o afastamento de Wilson Witzel (PSC).