Justiça determina prisão de Ronnie Lessa e da mulher por lavagem de dinheiro

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RIO - O juiz auxiliar da 1ª Vara Crimina Especializada Bruno Ruliere determinou a prisão de Ronnie Lessa e da mulher, Elaine Figueiredo Lessa, pelo crime de lavagem de dinheiro. O sargento reformado Ronnie Lessa, já é réu pelos homicídios da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. O magistrado aceitou a denúncia feita pela Força Tarefa do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO/FTMA) do Ministério Público do Rio (MPRJ). Elaine também já está presa por obstrução ao processo ao ser denunciada por ajudar o marido a esconder a possível arma usada na morte da parlamentar.

De acordo com a denúncia do Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPRJ, ficou evidente ao longo das investigações do assassinato de Marielle e Anderson que havia “incompatibilidade entre a renda formalmente declarada por Ronnie Lessa e o padrão de vida ostentado por ele e sua família”. A denúncia traz que: “foram apuradas possíveis manobras tendentes a dar roupagem de aparente licitude às receitas de origem, em tese, ilícita obtidas por Ronnie Lessa” E prossegue: “Fatos estes que, em tese, contaram com a colaboração direta dos denunciados Dennis Lessa, Alexandre Motta e Elaine Lessa”. Dennis é irmão do sargento, já Alexandre, amigo.

Com sinais de riqueza aparentes, o Gaeco e a Delegacia de Homicídios, imediatamente após a prisão de Lessa, em março de 2019, pelo assassinato de Marielle, solicitaram pesquisa ao Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil do Rio a fim de levantar seus dados bancários e fiscais. Com a quebra do sigilo autorizada pela Justiça, foi possível verificar, por meio de relatórios de análise, que no período entre 2014 e 2019, houve “foram identificadas movimentações bancárias em cifras milionárias”. O que chamou a atenção dos investigadores era que a única fonte de renda lícita e justificada por Lessa era proveniente de seus proventos de sargento reformado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. O PM recebia renda mensal média de R$ 7.095,05.

No citado período, o denunciado recebeu em suas contas créditos que somam R$ 2.837.566,83 e de R$ 2.891.446,57, resultando na movimentação total de R$ 5.729.013,40, apesar da renda declarada de Ronnie para o período, na condição de reformado da PMERJ, ser de R$ 416.226,17. A situação se agrava pelo fato de que o ex-PM não movimentava recursos apenas em suas contas, mas também em contas abertas em nome de 'laranjas', incluindo os demais denunciados.

Especificamente quanto à incompatível evolução patrimonial apresentada por Ronnie Lessa, registre-se que inúmeros bens foram adquiridos pelo denunciado, incluindo imóvel de luxo na orla da Barra da Tijuca, imóvel em Angra dos Reis, imóvel em Mangaratiba, dentre outros, e uma lancha de 33 pés e veículos de elevado valor, sendo que parte destes bens foi ocultada em nome de 'laranjas'. Além disso, aponta a denúncia oferecida pelo GAECO/MPRJ que houve dissimulação em transações imobiliárias, com a declaração de valores menores na compra de um imóvel na Barra da Tijuca, de forma a ocultar a origem suspeita de seus recursos e não despertar a atenção dos órgãos de fiscalização.

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