Justiça determina que corpo de miliciano Adriano da Nóbreha vá para IML do Rio

Carolina Heringer
Foto: Reprodução

O juiz do 4º Tribunal do Júri da capital, Guilherme Schilling Pollo Duarte, determinou nesta quinta-feira que o corpo do miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega seja levado para o Instituto Médico Legal do Rio. O pedido foi feito pela companheira do ex-policial militar, Julia Mello. Como revelado pelo EXTRA, o corpo está em um laboratório de embalsamento em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O cadáver foi levado para o local pelas irmãs e mãe de Adriano, que contrataram a funerária responsável por fazer o traslado da Bahia para o Rio de Janeiro.

A decisão foi dada no processo da Operação Intocáveis, que investiga a milícia em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio. Adriano era réu na ação. No pedido enviado à Justiça do Rio, Julia também solicitou um novo exame cadavérico, alegando que as circunstâncias da morte de Adriano foram obscuras. Essa solicitação foi negada pelo magistrado. “Sob este aspecto, quaisquer investigações sobre as circunstâncias do óbito - apontadas como ´obscuras´ ou duvidosas pela subscritora do pedido, deverá ser carreada em feito próprio através de inquérito policial ou investigação ministerial, a ensejar eventual ação penal autônoma caso constatado qualquer excesso na atuação policial”, escreveu ele em sua decisão.

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O corpo de Adriano, morto durante uma operação policial na Bahia no último domingo, chegou ao Rio na madrugada da última terça-feira. O cadáver foi trazido para a cidade em um voo comercial que pousou no Aeroporto do Galeão. A funerária contratada pela mãe e irmãs de Adriano foi a responsável pelo traslado. A cremação estava prevista para ocorrer na manhã de quarta-feira, no Memorial do Carmo, no Caju, mas foi impedida pela Justiça.

Duas decisões judiciais impediram a cremação do corpo de Adriano. Na primeira, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do Plantão Judiciário, afirmou que o pleito da família não atendia “aos requisitos da Lei 6.015/73, não estando acompanhado de imprescindíveis documentos”, como o Guia de Remoção de Cadáver e o Registro de Ocorrência. Maria Izabel destacou, também, que a morte de Adriano da Nóbrega não se deu “por causas naturais”.

A segunda foi dada pelo juiz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal do Rio, em menos de 15 horas da primeira. A mãe e as irmãs de Adriano tinham entrado com uma solicitação para que a Justiça autorizasse a cremação do corpo miliciano, que já tinha sido indeferida pela juíza Maria Izabel.