Justiça do Equador condena ex-presidente Rafael Correa a oito anos de prisão

(Arquivo) O ex-presidente do Equador Rafael Correa

A Justiça do Equador condenou à revelia, nesta terça-feira, o ex-presidente Rafael Correa a uma pena de oito anos de prisão por corrupção, e o deixou inabilitado, o que poderia representar a sua morte política.

O ex-presidente, 57, radicado na Bélgica e que enfrenta uma ordem de prisão por outro julgamento em curso, foi condenado com outras 17 pessoas por um esquema de corrupção durante seu governo, informou a Procuradoria no Twitter.

Correa, que sempre alegou ser alvo de perseguição política por parte do governante Lenín Moreno - seu ex-aliado e ex-vice-presidente - com a cumplicidade de juízes, questionou a sentença em primeira instância, da qual poderá recorrer. "Conheço o processo, e o que os juízes dizem é MENTIRA. Não provaram absolutamente NADA. Puro falso testemunho, sem provas", tuitou Correa.

A Justiça considerou o ex-presidente e ex-colaboradores responsáveis por terem recebido propina de empresas em troca de contratos, entre as quais foi citada a Odebrecht, embora a Procuradoria do Equador não tenha investigado a empresa brasileira.

A sentença da Corte Nacional de Justiça também determina "a perda dos direitos de todos os condenados de participação na vida política por um período de 25 anos".

"Isso era o que buscavam: manipulando a Justiça, conseguir o que nunca foi possível nas urnas. Eu estou bem. Fico preocupado com meus companheiros. Certamente ganharemos em nível internacional", afirmou o ex-presidente.

- Apelação -

Entre os condenados, aparecem ex-deputados governistas e ex-ministros de Correa, bem como o ex-vice-presidente Jorge Glas, que, desde 2017, cumpre pena de seis anos de prisão por receber propinas da Odebrecht. Glas foi vice-presidente de Correa entre 2013 e 2017, quando foi reeleito em parceria com Moreno.

Segundo a procuradora-geral Diana Salazar, no caso chamado "Subornos 2012-2016", empresas, como construtoras, pagaram cerca de 7 milhões de dólares em propinas para obter contratos.

O ex-presidente foi ligado ao caso por 6 mil dólares que entraram em sua conta. Correa alega que se tratou de um empréstimo de um fundo partidário.

Alexis Mera, ex-secretário jurídico da presidência no governo Correa, também condenado, anunciou que irá apelar da sentença.

Caso a sentença seja confirmada, Correa terá que encarar o fim de sua carreira política, já que, além de estar inabilitado por 25 anos, a Constituição do Equador impede que se candidatem condenados por suborno, enriquecimento ilícito ou peculato.