Justiça espanhola decide extraditar advogado brasileiro ligado à Lava Jato

A denuncia ocorre logo após a destituição do procurador eleitoral mexicano Santiago Nieto, que investigava o caso, sob a acusação de violar o devido processo e a presunção de inocência com a divulgação de detalhes do caso

A Justiça espanhola decidiu extraditar o advogado hispano-brasileiro Rodrigo Tacla Duran, que no Brasil responde por sua suposta ligação com o esquema de corrupção na Petrobras, investigado pela operação 'Lava Jato'.

A extradição, "para processo de delito de coparticipação, lavagem de dinheiro e organização criminosa", foi decidida pela Audiência Nacional, tribunal superior espanhol especializado nesse tipo de casos, segundo uma ação a qual a AFP teve acesso nesta sexta-feira (16).

A extradição deverá agora ser formalmente aprovada pelo governo espanhol.

Rodrigo Tacla Duran, de 43 anos, e advogado da Odebrecht, foi detido em novembro em um hotel em Madri.

A ação justifica que Tacla fazia parte de um cartel de empresas que pagaram "sistematicamente subornos aos dirigentes" da Petrobras, para a contratação de grandes obras.

O documento afirma que Tacla Duran atuou como mediador no pagamento desses subornos e lavagem de dinheiro. Concretamente, teria lavado "mais de trinta e cinco milhões de reais em espécie" para uma dessas empresas, a UTC Engenharia.

O caso do advogado tem também ramificações no Equador, onde o ex-ministro Alecksey Mosquera foi preso preventivamente em abril por 90 dias por ter supostamente recebido um suborno de 920.000 dólares da Odebrecht.

A prisão do ex-ministro foi possível por causa da declaração feita por Rodrigo Tacla Duran, de acordo com a procuradoria equatoriana, que em janeiro enviou uma assistência penal à Espanha para recorrer ao testemunho.

O escândalo na 'Lava Jato', o maior da história brasileira, atingiu diretamente o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus ex-aliados do PMDB, do atual presidente Michel Temer, além do Partido Progressista (PP).