Justiça exige fiança de R$ 20 milhões para São Paulo retomar contrato do GP de F1

CARLOS PETROCILO
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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 01.01.2021 - Prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 01.01.2021 - Prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB). (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O juiz Emílio Migliano Neto, da 7ª Vara da Fazenda Pública, determinou que a empresa MC Brazil Motorsport Holding Ltda deposite uma fiança de R$ 20 milhões, dentro de 15 dias, para dar sequência ao contrato de promoção do GP de F1 com a Prefeitura de São Paulo.

Cabe recurso à decisão, que foi publicada nesta segunda-feira (15).

O montante de R$ 20 milhões é baseado no valor da primeira parcela do acordo para realizar a corrida no autódromo de Interlagos de 2021 a 2025, que a prefeitura deverá depositar para a MC no último dia útil de março deste ano.

O contrato, cujo valor total é de R$ 100 milhões, foi assinado pela gestão Bruno Covas (PSDB) com a MC Brazil Motorsport Holding Ltda e publicado no Diário Oficial no dia 5 de janeiro.

O vereador Rubens Nunes (Patriotas) ingressou com uma ação civil questionando o contrato, e no dia 11 de janeiro Migliano Neto mandou suspendê-lo. Para isso, o juiz se baseou em dois pontos: ausência de licitação no negócio e o sigilo imposto pelo município na documentação.

Na decisão proferida nesta segunda, o magistrado não entrou no mérito da dispensa de licitação. Migliano Neto se atentou ao fato de que o capital social da MC é de R$ 120.

"O que causa verdadeiro espanto é que o capital social da empresa nacional MC Brazil Motorsport Holding Ltda é de apenas R$ 120,00, gerida por três empresas estrangeiras (MIC Capital Partiners FIP 1 LLC; MIC Capital Partiners FIP 2 LLC e; MIC Capital Partiners FIP 3 LLC), estabelecidas no Estado de Dalaware, sendo considerado um paraíso fiscal dentro dos EUA, e está recebendo dinheiro público, cem milhões de reais da Prefeitura de São Paulo", escreveu o juiz.

Após a suspensão, no dia 11, a prefeitura recorreu da decisão sob justificativas de que o Grande Prêmio representa para os cofres públicos uma previsão de arrecadação tributária de R$ 1,1 bilhão nos próximos dez anos.

Sobre a ausência de licitação, a Procuradoria-Geral do Município afirma que que a MC Brazil Motorsport Holdings detém carta de exclusividade Formula One Word Championship para realizar corridas no Brasil.

O jornal Folha de S.Paulo teve acesso à carta da F1, entregue ao secretário municipal de Turismo, Miguel Calderaro Giacomini, em dezembro, e que nomeia a MC para atuar como promotora do GP São Paulo de 2021 a 2025.

O documento também afirma que a empresa Interpub deixará de deter os direitos de organizar a corrida no Brasil, após ter sido responsável pelas provas no país nas últimas três décadas.

Em seu parecer, o Ministério Público também foi favorável à suspensão do contrato com a MC Brazil.

O promotor Renato Fernando Casemiro argumentou que a pandemia de Covid-19 alterou a rotina de eventos importantes, como o Carnaval e os Jogos de Tóquio, e pediu que seja mantida a suspensão, ao menos por enquanto, "considerando o momento crítico enfrentado pelas finanças públicas, com diminuição de arrecadação e necessidade de aumento de impostos pelo governo".

Procuradas pela reportagem, a prefeitura e MC Brazil não se manifestaram até a publicação deste texto.