Justiça francesa rejeita extradição para Sérvia de ex-líder rebelde kosovar

O primeiro-ministro de Kosovo, Ramush Haradinaj, em Colmar, em 27 de abril de 2017

A justiça francesa rejeitou nesta quinta-feira o pedido de extradição para a Sérvia do ex-líder rebelde kosovar Ramush Haradinaj, acusado por Belgrado de crimes de guerra cometidos em junho de 1999.

A justiça também suspendeu o controle judicial que pesava sobre Haradinaj, que fica livre para retornar a seu país. Ramush Haradinaj, 48 anos, havia sido detido em 4 de janeiro pela polícia francesa ao desembarcar no aeroporto franco-suíço de Basileia-Mulhouse.

A Promotoria de Colmar (leste) recomendou em 6 de abril a extradição do ex-líder do Exército de Libertação de Kosovo (UCK), acusado pela Sérvia de ter participado em junho de 1999 em assassinatos e atos de violência contra os civis sérvios do Kosovo.

Em 2008 e 2012 ele foi absolvido pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY), que o julgou por crimes de guerra cometidos en 1998.

Os fatos atribuídos no processo examinado na França aconteceram em 1999, por isto a Sérvia considera que são casos diferentes.

Ramush Haradinaj, que foi deputado e adversário do presidente Hashim Thaçi, é muito popular entre os kosovares, que o consideram um herói da guerra de independência de 1998-1999 contra as forças sérvias.

Sua detenção provocou uma forte comoção em Kosovo, assim como na Albânia.

A guerra em Kosovo, o último conflito após a desintegração da Iugoslávia, deixou 13.000 mortos e provocou a separação desta região majoritariamente habitada por albaneses, mas que a Sérvia considera parte de seu território.

Em 2008 Kosovo declarou sua independência, que a Sérvia não reconhece.