Justiça francesa tenta mediação entre indígenas do Brasil e varejista Casino

A primeira audiência do processo que organizações ambientalistas internacionais e indígenas brasileiras movem contra o varejista francês Casino, presente no Brasil pelo Grupo Pão de Açúcar, ocorreu nesta quinta-feira (9), em Paris. A Justiça de Paris propõe uma tentativa de conciliação entre as partes.

As entidades acusam a multinacional de não cumprir uma lei pioneira da França, de 2017, segundo a qual as companhias com mais de 5 mil funcionários têm um “dever de vigilância” quanto a violações ambientais e dos direitos humanos nas suas filiais pelo mundo. As organizações denunciam que o Casino, com suas marcas locais no Brasil e também na Colômbia, comercializa carne como resultado de desmatamento ilegal na Amazônia, incluindo em uma reserva indígena dos povos Uru-Eu-Wau-Wau.

"Se essa lei for mesmo cumprida, a responsabilidade do Casino ficará estabelecida”, disse Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil), em um protesto realizado em frente ao Tribunal Judiciário de Paris.

"Nós desejamos que o grupo Casino exerça uma rastreabilidade total da carne bovina vendida nos seus supermercados no Brasil e na Colômbia, de maneira a garantir que nenhum dos seus fornecedores, diretos ou indiretos, esteja implicado no desmatamento ilegal e a invasão de territórios indígenas. Já faz 18 meses que o grupo Casino tem a possibilidade nos fornecer provas de que faz isso, mas nós, atualmente, trazemos a prova no sentido contrário”, explicou um dos defensores das organizações, Sébastien Mabile.

Casino garante aplicar rastreabilidade


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