Justiça de Hong Kong condena magnata da imprensa Jimmy Lai a uma nova pena de prisão

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O militante pró-democracia Figo Chan (centro) faz o sinal da vitória ao entrar em viatura da polícia para seguir até o tribunal em Hong Kong

O magnata da imprensa de Hong Kong Jimmy Lai foi condenado nesta sexta-feira (28) a uma nova pena de prisão por ter participado em 2019 em uma manifestação proibida no dia do 70º aniversário da China comunista.

Lai, que está detido atualmente por ter participado em outras manifestações, foi condenado a 14 meses de prisão, o que eleva 20 meses o período que deve permanecer na penitenciária.

Outras sete figuras importantes do movimento pró-democracia, incluindo Figo Chan, de 25 anos, e os ex-deputados Lee Cheuk-yan e Leung Kwok-hung, também receberam novas penas.

Ao chegar ao tribunal em uma viatura policial, vários réus fizeram o "V" da vitória. Algumas pessoas conseguiram se aproximar para expressar apoio.

A onda de condenações mostra mais uma vez a implacável repressão chinesa no território autônomo e ex-colônia britânica.

Em 2019, o centro financeiro internacional foi cenário por vários meses de grandes manifestações, algumas delas violentas, contra o cada vez maior controle da China.

Em 1º de outubro daquele ano, dia da festa nacional chinesa, militantes radicais e forças de segurança se enfrentaram com grande violência à margem de uma manifestação que aconteceu de maneira pacífica e na qual participaram os condenados desta sexta-feira.

A China considerou uma ofensa a grande participação de da população de Hong Kong no protestos, no dia em que o governo celebrava o 70º aniversário do regime.

"Foi inocente acreditar que um pedido de comportamento pacífico e racional bastaria para garantir a ausência de violência", declarou a juíza Amanda Woodcock ao pronunciar as penas de prisão contra os oito militantes.

- Vigília proibida -

Na quinta-feira, a polícia de Hong Kong não autorizou a organização em junho da tradicional vigília em recordação da repressão da Praça Tiananmen (Paz Celestial) de Pequim.

O ministro da Segurança de Hong Kong afirmou que a nova e drástica lei sobre a Segurança Nacional que a China impôs à ex-colônia britânica poderia ser invocada neste caso.

Mais de 10.000 pessoas foram detidas nas manifestações de 2019 e 2.500 foram condenadas por diversas infrações.

Muitos líderes do movimento pró-democracia estão detidos ou no exílio.

Mais de 100 pessoas, incluindo Lai, foram processadas com base na lei de Segurança, que inclui penas que podem chegar à prisão perpétua.

Os militantes condenados nesta sexta-feira pertencem à ala mais moderada do movimento pró-democracia. Quatro deles já cumpriam penas de prisão por participação em manifestações.

Muitos deles passaram décadas pregando a não violência em sua campanha, até o momento em vão, por um verdadeiro sufrágio universal.

Figo Chan é um dos pilares da coalizão Frente Civil dos Direitos Humanos, que organizou as principais manifestações de 2019, nas quais participaram centenas de milhares de cidadãos de Hong Kong.

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