Justiça indiana autoriza construção de templo hindu em lugar disputado com muçulmanos

Por Simon STURDEE, con Bhuvan BAGGA en Ayodhya
Um homem passa por uma cerca de segurança em Ayodhya (Índia), em 9 de novembro de 2019

O supremo tribunal indiano abriu, neste sábado, o caminho para a construção de um templo hindu em um lugar sagrado do norte do país disputado durante décadas com os muçulmanos.

A decisão é uma vitória para o governo nacionalista hindu do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

Em 1992 uma turba destruiu uma mesquita de 460 anos de antiguidade que havia no local.

O tribunal determinou que o local em Ayodhya, no norte da Índia, tem que ser entregue a um consórcio que supervisionará a construção de um templo hindu, com algumas condições.

O tribunal determinou também neste sábado que outro terreno em Ayodhya será entregue a grupos muçulmanos para que possam construir uma nova mesquita.

Segundo a imprensa indiana, o tribunal considerou que as provas arqueológicas demonstram que uma estrutura "de origem hindu" foi construída no lugar antes da mesquita.

Modi comemorou a decisão e disse que resolve de "forma amistosa" um conflito que dura várias décadas entre a maioria hindu e a minoria muçulmana do país.

Antes da decisão, as autoridades indianas haviam reforçado a segurança em todo o país e Modi tinha feito um chamado à calma.

Em Ayodhya e arredores se reforçou a segurança e as escolas ficaram fechadas por medo aos distúrbios.

A decisão do tribunal supremo deve, segundo as autoridades, pôr fim a anos de polêmica e de violência ao redor da mesquita do século XVI, destruída em 1992 pelos nacionalistas hindus.

Zafaryab Jilani, advogado que representa um dos litigantes muçulmanos, disse que é "injusto" e que considera apresentar uma petição de revisão.

"Agora, finalmente, as negociações e inclusive a política em torno disso cessarão", declarou à AFP Shubham Maheshwar, de 25 anos, um habitante de Ayodhya cuja família vive a 400 metros do local.

O ataque de 1992 foi realizado por 200.000 nacionalistas hindus e provocou os confrontos mais graves da Índia desde a independência, em 1947, nos quais morreram 2.000 pessoas, em sua maioria muçulmanos.

Dez anos depois, o incêndio de um trem procedente de Ayodhya matou 59 militantes hindus e provocou novos confrontos que deixaram mil mortos.

Os nacionalistas hindus – incluindo partidários do Partido Bharatiya Janata (BJP), partido do primeiro-ministro Modi – acreditam que Ram, seu deus guerreiro, nasceu em Ayodhya, e que Babur, o primeiro soberano muçulmano do império Mughal, construiu a mesquita Babi no lugar de um templo Hindu.

Nos últimos dias, Narendra Modi havia instado a comunidade hindu a não celebrar veementemente um possível veredicto favorável. Por seu lado, representantes da comunidade muçulmana também pediram calma aos seus fiéis.

"Qualquer que seja o veredicto da corte suprema, não haverá vencedor nem perdedor", tuitou Modi na noite de sexta-feira.

"Peço ao povo da Índia que mantenha como prioridade que esse veredicto reforce os valores de paz, igualdade e boa vontade de nosso país", acrescentou o primeiro-ministro.