Justiça israelense rejeita petições de palestinos ameaçados de expulsão na Cisjordânia

(Arquivo) Uma mulher palestina recolhe lenha na região de Massafer Yatta, no sul da Cisjordânia ocupada, em 14 de março de 2022 (AFP/HAZEM BADER) (HAZEM BADER)

Diversas ONGs israelenses criticaram, nesta quinta-feira (5), a rejeição, por parte da Suprema Corte de Israel, de petições de palestinos ameaçados de expulsão em uma área desértica da Cisjordânia ocupada, considerada pelo exército israelense como área de treinamento.

Ontem, a mais alta instância judicial de Israel deu razão ao exército ao estabelecer que a região de Massafer Yatta, onde existem 12 localidades palestinas no deserto de Judeia, no extremo sul da Cisjordânia, é um campo de tiro desde 1980.

Assim, esta decisão abre caminho para a possível expulsão dos moradores.

"Após mais de 20 anos de procedimentos judiciais, a Suprema Corte de Justiça de Israel decidiu ontem [4 de maio] que é legal a transferência forçada de centenas de palestinos de suas casas e a destruição de suas comunidades, com o objetivo manifesto de apoderar-se de suas terras", assinalou a ONG anticolonização israelense B'Tselem em comunicado.

"A Suprema Corte autorizou oficialmente deixar as famílias, com suas crianças e idosos, sem um teto", declarou a Associação para os Direitos Civis em Israel (ACRI, na sigla em inglês).

Nos anos 1980, o exército declarou que os 3.000 hectares do local seriam transformados no "campo de tiro 918" para seus soldados, argumentando que o setor não estava habitado de maneira permanente.

Os moradores, cerca de mil palestinos distribuídos em 12 localidades isoladas que se tornaram progressivamente sedentárias, afirmam que estão no local desde o século XIX, ou seja, muito antes de o exército israelense ocupar a Cisjordânia a partir de 1967.

Em princípio, os moradores foram expulsos da região em 1999, mas foram autorizados a retornar à espera da decisão da Suprema Corte, que foi consultada por uma organização israelense de defesa dos direitos humanos.

Uma análise de fotografias aéreas da região dá razão ao exército, declarou o juiz David Mintz.

O magistrado considerou que "os peticionários não puderam provar" que viviam de maneira permanente na região antes que ela fosse declarada como campo de tiro.

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