Justiça manda faculdade recontratar professores demitidos em Osasco

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um mês depois de terem sido demitidos por justa causa durante uma greve por falta de pagamento, cerca de 120 professores tiveram uma vitória na Justiça do Trabalho nesta sexta (31).

Decisão do tribunal regional mandou que eles fossem reintegrados ao Unifieo, centro universitário que foi a primeira instituição de ensino superior de Osasco (Grande São Paulo), já abrigou mais de 14 mil alunos, mas passa por uma crise financeira nos últimos anos.

Até as 21h30 desta sexta (31), a reportagem não havia conseguido contato com a direção da escola.

A greve, considerada não abusiva pelo TRT, havia sido deflagrada em novembro, depois de três meses de paralisação no pagamento dos salários.

O Unifieo já vinha atrasando e parcelando pagamentos desde o final de 2015 e, em julho do ano passado, demitira outros 60 docentes -a maioria com mais tempo de casa e salários mais altos-, sem pagar os direitos rescisórios.

Correm na Justiça vários processos para tentar receber essas indenizações.

A decisão desta sexta considera nulas as demissões por justa causa dos professores grevistas.

Segundo a nova reitoria da escola, empossada em dezembro do ano passado, após um novo cisma entre os fundadores da instituição, eles não haviam sido dispensados porque estavam parados, mas porque deixaram de entregar as notas do semestre, prejudicando os alunos.

A direção também atribuía aos docentes em greve responsabilidade pela evasão de alunos no final do ano passado. Segundo a vice-reitoria, os professores haviam feito "campanha injuriosa e difamatória contra a Instituição e seus fundadores".

Os docentes, por sua vez, atribuem a crise a falhas de gestão e disputas internas de poder.

BENS BLOQUEADOS

A Justiça também bloqueou os bens particulares dos sócios da Fieo, fundação que controla o centro universitário, e estabeleceu multa de R$ 5.000 por dia de descumprimento da sentença (o equivalente a R$ 600 mil por dia, considerados os 120 professores).

Imóveis do centro universitário já estavam embargados por causa de uma disputa tributária, de mais de R$ 300 milhões.

Os professores ainda farão uma assembleia para decidir o que fazer a partir da decisão de reintegração.