Justiça mantém por unanimidade decisão de levar a júri popular acusados de matar Marielle e Anderson

Arthur Leal
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RIO — Em sessão por videoconferência, realizada na tarde desta terça-feira, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio decidiu manter a decisão de levar a júri popular o PM reformado Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, presos há dois anos, acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes. A defesa dos acusados havia entrado com um recurso para tentar reverter uma decisão de março do ano passado.

A sessão foi conduzida pelo relator, desembargador Luiz Zveiter. Além dele, as desembargadoras Denise Vaccari Machado e Katya Maria de Paula Menezes Monnerat também votaram pela manutenção do julgamento dos réus em júri popular, como definido em março do ano passado pelo juíz Gustavo Gomes Kalil, da 4ª Vara Criminal.

A defesa de Lessa e Élcio de Queiroz alegou falta de provas e indícios suficientes que ligassem a dupla ao crime contra a vereadora do PSOL e seu motorista. Tanto a defesa de Marielle, quanto os magistrados, no entanto, alegaram o contrário.

— A analise aprofundada das provas técnicas e da prova oral colhida deve ser feita pelo júri popular mediante o contraditório e a ampla defesa — afirmou a desembargadora Katya Monnerat em seu voto.

Os desembargadores levaram em consideração os indícios levantados pelo Gaeco, do Ministério Público do Rio, e pela Polícia Civil, após a decisiva denúncia, considerada "muito qualificada", que chegou aos investigadores, que dava conta do envolvimento de Lessa no crime e de que o Cobalt prata utilizado na empreitada criminosa havia saído do Quebra-Mar, localidade muito frequentada por ele: registros telemáticos, localização dos acusados no dia do crime, pesquisas pelo nome e agenda de Marielle. Os depoimentos dados pelos réus durante todo este tempo também foram levados em consideração. Por fim, entendeu-se que os indícios são suficientes para que os dois sejam julgados por júri popular.