Justiça nega liberdade de síndica e amante suspeitos de morte de empresário no Rio

Marcos Nunes
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O Tribunal de Justiça (TJ) do Rio de Janeiro informou, nesta quarta-feira, que foi indeferido durante audiência de custódia, realizada no último dia 28, o pedido de revogação da prisão temporária de Priscilla Laranjeira Nunes de Oliveira, de 44 anos, síndica de um condomínio de luxo da Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, e do ex-paraquedista Leonardo Gomes de Lima, que é casado e mantinha um relacionamento extraconjugal com Priscilla.Os dois estão atrás das grades, por força de um mandado de prisão temporária, desde o último dia 16 de março, por suspeita de envolvimento na morte do empresário Carlos Eduardo Monttechiari, de 56 .

Segundo investigações da 27ªDP (Vicente de Carvalho), o crime aconteceu porque a vítima, que era ex-síndico do condomínio e opositor de Priscilla, planejava denunciar um suposto desvio de cerca de R$ 800 mil, que teria sido feito na administração da síndica. A audiência aconteceu quatro dias depois que a defesa da suspeita entrou no Tribunal de Justiça com um pedido de liminar, solicitando habeas corpus com relaxamento de prisão. Um dos motivos alegados, na ocasião, era justamente a não realização de uma audiência de custódia .

Em dezembro de 2020, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, expediu uma liminar determinando que a Justiça do Rio de Janeiro passasse a realizar audiência de custódia para todas as modalidades de prisão, incluindo prisões temporárias, e não apenas no caso de pessoas presas em flagrante.


Segundo o Tribunal de Justiça, Priscilla Laranjeira e Leonardo Lima foram apresentados na Central de Audiência de Custódia de Benfica, acompanhados dos seus respectivos advogados. Ainda segundo o TJ, ao examinar o pedido de relaxamento de prisão, a juíza Daniele Barbosa concluiu não haver qualquer ilegalidade quanto ao prazo de apresentação dos investigados.

Durante a audiência, o ex-paraquedista Leonardo, que confessou o crime na delegacia e apontou a síndica como mandante, disse ter sido agredido por um policial. A juíza determinou então o seu encaminhamento para a realização de exame de corpo de delito, já que não havia nos autos informações sobre a sua realização.

Na decisão, a magistrada observa que eventual abuso ou excesso policial pode gerar responsabilidade civil, penal e administrativa dos agentes da lei, o que deve ser analisado pelo juízo competente. “Contudo – acrescenta - a suposta agressão não guarda relação com as provas que ensejaram a prisão. Portanto, não se vislumbra qualquer evidência de prova ilícita originária ou por derivação em decorrência da alegada agressão, não havendo que se falar, portanto, em ilegalidade da prisão, escreveu a magistrada .

Carlos Eduardo Monttechiari foi baleado no dia 1º de fevereiro, quando abria a porta do carro, no Bairro Vila Kosmos, na Zona Norte .O crime foi flagrado por câmeras de segurança. Ele ainda chegou ir para um hospital, mas não resistiu e morreu no dia seguinte.

Segundo a polícia, Leonardo trabalha no mesmo condomínio que a síndica.

Apesar da decisão da juíza, um pedido de habeas corpus de Pirsiclla e Leonardo continua sendo analisado, em segunda instância, pelos desembargadores da 3ª Câmara Criminal do TJ.