Justiça nega prisão preventiva de motorista que atropelou e matou ciclista em SP

Cleide Carvalho
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Reprodução
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SÃO PAULO - A Justiçaindeferiu o pedido de prisão preventiva do motorista José Maria daCosta Junior, que atropelou e matou a ciclista Marina Harkot, de 28 anos, na madrugada do último domingo, no bairro de Pinheiros, em SãoPaulo. Costa Junior fugiu do local do acidente sem prestar socorro àvítima. A juíza Tatiana Ormeleze afirmou que o crime de homicídioculposo, sem intenção de matar, pelo qual o motorista foiindiciado, não prevê prisão preventiva.

Na decisão, a juízaafirmou que, para ser preso preventivamente, o acusado tem que terpraticado crime doloso, com pena máxima superior a quatro anos, ouser reincidente, ou, ainda, no caso violência doméstica e familiar,como medida protetiva de urgência. "Desta forma, o juiz ficaimpossibilitado de impor uma medida mais drástica em razão daleniência da própria lei, apesar da gravidade do caso",escreveu.

Marina era pesquisadorada Universidade de São Paulo e cicloativista. Sua linha de pesquisaera justamente analisar os motivos que levavam as mulheres a usarmenos a bicicleta, em relação aos homens, para se locomover na cidade.

Costa Junior seapresentou no 14º Distrito Policial na terça-feira, acompanhadopor advogado. Na hora do acidente,ele dirigia uma Hyundai Tucson.Marina teria sido atropelada pelas costas. Um motociclista viu oacidente, seguiu o veículo e anotou a placa. O carro foi localizadopela polícia num estacionamento da Rua Cesário Motta Júnior, nocentro da cidade.

Costa Junior não foipreso também porque a lei eleitoral prevê que, devido às eleições,ninguém pode ser preso nos cinco dias anteriores ao pleito, a nãoser em flagrante.

Imagens da câmera desegurança de um elevador, obtidas pela GloboNews mostram o motoristasorrindo momentos após o acidente na Zona Oeste de São Paulo. Nagravação, Costa Júnior aparece conversando com uma outra mulher.No vídeo, ele não demonstra nervosismo e abatimento por teratropelado Marina, de acordo com os investigadores do caso ouvidospela GloboNews.