Justiça paraguaia libera Ronaldinho Gaúcho para prisão domiciliar

***FOTO DE ARQUIVO*** RIO DE JANEIRO, RJ, 04.02.2019: Festa de aniversario de 60 anos de Zeca Pagodinho. Na foto o jogador Ronaldinho Gaucho. Cidade do Samba, Rio de janeiro. (Foto: Zo Guimaraes/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O juiz Gustavo Amarilla concedeu nesta terça-feira (7) a prisão domiciliar a Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto Assis. Os dois ficarão em um hotel em Assunção e pagaram multa de US$ 1,6 milhão (R$ 8,35 milhões).

A decisão encerra o período de 30 dias que ficaram presos de maneira preventiva e em regime fechado.

Ronaldinho e Assis estavam detidos em Assunção desde 4 de março, acusados de estar no país com passaportes falsos. Eles receberam os documentos na sala VIP do aeroporto internacional Silvio Petirossi, em Luque, cidade vizinha à capital.

Nos documentos estavam as fotos e dados pessoais da dupla. Faltavam apenas as assinaturas.

Os passaportes foram ponto de partida para uma investigação do Ministério Público e do Ministério da Tributação do Paraguai. Até agora, no total, 15 pessoas já foram presas. Os promotores investigam esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e impressão de documentos falsos. Dois deles foram entregues a Ronaldinho e Assis.

Segundo o Ministério Público, cada passaporte falso custava cerca de R$ 30 mil.

Ronaldinho, recebido no Paraguai como ídolo, e Assis estavam presos em um quartel da Polícia Nacional do Paraguai adaptado como prisão. No período em que ficou no local, companheiros de cela do ex-jogador disseram que ele alternou momentos de bom humor aos de melancolia. Mas postou fotos sorridentes em redes sociais, gravou vídeos a pedido de outros presos e participou de jogo do campeonato interno dos detentos.

Em depoimento ao Ministério Público, os dois brasileiros afirmaram terem recebido os documentos como presentes, sem saber que não eram verdadeiros. A expectativa de seus advogados era que a pena fosse social, o que significaria doação em dinheiro ou algo semelhante a uma instituição filantrópica do Paraguai. Então seriam liberados a voltarem ao Brasil. Isso não aconteceu,

Na primeira audiência do caso, o juiz determinou a prisão preventiva da dupla, sob a alegação de que eles poderiam fugir do Paraguai. Desde então, os advogados haviam tentado três recursos para liberá-los. Pediram prisão domiciliar e o anulamento do decreto de prisão preventiva. Todas as solicitações foram rejeitadas.

Em 21 de março, Ronaldinho completou 40 anos.

A situação dos brasileiros foi complicada também pela pandemia de coronavírus, o que fez com que a Justiça do Paraguai passasse a trabalhar em um ritmo bem mais lento. Isso adiou também o resultado da perícia dos telefones celulares de Ronaldinho e Assis, visto como fundamental pela defesa para provar que eles não tinham conhecimento da falsificação.

A defesa de Ronaldinho e Assis aponta o empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lira como responsável por entregar a eles os passaportes falsificados. Lira também teve a prisão preventiva decretada. Duas mulheres, María Isabel Galloso e Esperanza Apolônia Caballero, donas das cédulas de identidade usadas para a adulteração, foram denunciadas e estão em prisão domiciliar.

A mulher de Wilmondes, Paula Lira, é amiga da empresária Dalia Lopez, acusada de ter pago pelos passaportes falsos. Ronaldinho e Assis viajaram ao Paraguai a convite do casal Lira e de Dalia para participar do projeto de uma ONG que transformaria ônibus para atender crianças carentes no Paraguai.

"Ronaldinho e seu irmão ingressaram no nosso país usando documentos de conteúdos falsos. Não dá para falar de inocência", declarou a promotora. "Para Ronaldinho e seu irmão, essa [citar o envolvimento de Lira] é uma saída processual alternativa, porque os documentos que temos confirmam que esse outro brasileiro seria o responsável por entregar os documentos para eles", disse à reportagem a promotora Alicia Sapriza.

Não é a primeira vez que o nome de Ronaldinho é ligado a problemas com seu passaporte. Em novembro de 2018, ele e Assis chegaram a ter seus documentos brasileiros apreendidos após condenação por um crime ambiental no Rio Grande do Sul.

Ele fora condenado a pagar mais de R$ 8,5 milhões pela construção de um píer em área de proteção ambiental no lago Guaíba, na capital gaúcha. Como não cumpriu a sentença, teve o passaporte retido.

Em setembro do ano passado, um acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul permitiu que ele recuperasse o documento. Os termos da negociação não foram publicados à época.

Pouco antes de fechar esse acordo, Ronaldinho havia sido nomeado embaixador do turismo brasileiro pela Embratur, instituto ligado ao Ministério do Turismo. A nomeação ocorrera mesmo sem o documento que permite viagens ao exterior.