Justiça prorroga prisão de envolvidos no incêndio em Santa Maria

Entrada da boate Kiss enterditada pela polícia

A Justiça do Rio Grande do Sul anunciou nesta sexta-feira a prorrogação por 30 dias da prisão temporária dos quatro envolvidos no incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, que deixou 236 mortos no domingo.

Novos depoimentos de testemunhas "indicam a presença do dolo na conduta dos representados, evidenciando a prática de homicídio doloso, portanto, tendo os representados assumido o risco de produzir o resultado da morte de mais de duzentas pessoas, por meio de asfixia", indicou a Ministério Público.

"Foi concedida a prorrogação da prisão temporária dos dois sócios proprietários da boate Kiss e de dois músicos da banda Gurizada Fandangueira pelo prazo de 30 dias", indicou em nota o juiz que analisou o pedido feito pela Polícia Civil.

"É preciso identificar os culpados. É o que vamos fazer a partir de agora", disse o juiz Ulysses Louzada Fonseca, do tribunal de Santa Maria, que vai lidar com o caso.

De acordo com as provas reunidas até agora pela polícia, a tragédia foi provocada por uma série de falhas: superlotação da boate; uso pela banda de sinalizador específico para ambientes abertos; teto da boate revestido com espuma inflamável; pelo menos um extintor não funcionou; uma única saída; entre outros.

Na quinta-feira, a Justiça negou o pedido de liberdade para um dos sócios, Elissandro Sphor, que está hospitalizado e tentou o suicídio na quarta-feira, de acordo com a polícia.

Os outros detidos são o também proprietário Mauro Hoffman, o vocalista Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor do grupo, Luciano Augusto Bonilha Leão.

O incêndio na boate de Santa Maria também deixou mais de uma centena de pessoas hospitalizadas, muitas delas em estado grave.

A morte de outro jovem que estava em estado crítico na quinta-feira elevou para 236 o número de mortos.

Depois do incêndio, várias cidades anunciaram a realização de fiscalização em casas noturnas.

No estado do Rio de Janeiro, que se prepara para o carnaval, 127 casas noturnas foram fechadas por quatro dias por não cumprirem normas de segurança, indicou o Corpo de Bombeiros nesta sexta-feira.

Outras 52 foram multadas.