Justiça recebe denúncia e mantém prisão de ex-marido acusado de matar juíza

Vera Araújo e Rafael Soares
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Foto: Reprodução

A Justiça recebeu a denúncia do Ministerio Público do Rio contra o engenheiro Paulo José Arronenzi pelo homicídio da ex-mulher, a juíza Viviane Vieira do Amaral, assassinada na frente das três filhas na véspera de Natal. Na decisão, o juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, da 3ª Vara Criminal, manteve a prisão do acusado. Segundo o magistrado, "imperativa é a segregação cautelar de Paulo, pessoa dotada de postura violenta e, indiciariamente falando, responsável por agredir diversas vezes, mediante tortura, Viviane na presença das três filhas menores na véspera de natal, data tão significativa para o universo infantil".

Na decisão, Abrahão também determina que parentes, amigos e pessoas proximas de Paulo José não se aproximem das três filhas do casal, que tem entre 7 e 9 anos. "Atuo com intuito exclusivo de preservar a saúde psíquica das crianças e, por conseguinte determino ao detentor da posse guarda das mesmas que frustre toda e qualquer tentativa de aproximação destas por parte de familiares ligados ou simpáticos ao agressor e/ou pessoas próximas ao mesmo", escreveu Abrahão.

O crime aconteceu na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, quando a juíza levava as crianças para passarem o Natal com o pai. Arronenzi foi preso em flagrante logo em seguida por guardas municipais. De acordo com a denúncia, o crime foi motivado pelo inconformismo do acusado com o término do relacionamento, especialmente pelas consequências financeiras do fim do casamento na vida do engenheiro.

O MP também pediu à Justiça que o engenheiro seja condenado ao pagamento de indenização pelos danos materiais e morais causados à família da vítima, em valor a ser apurado no curso do processo. A denúncia vai ser analisada pela 3ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio.

Para a Promotoria, trata-se de um homicídio quintuplamente qualificado. As qualificadoras, que podem levar ao aumento da pena em caso de condenação são: feminicídio, ou seja, a vítima foi morta por ser mulher; o crime foi praticado na presença de três crianças; o assassinato foi cometido por motivo torpe, já que o acusado a matou por não se conformar com o fim do relacionamento; o crime foi cometido por um meio que dificultou a defesa da vítima, atacada de surpresa quando descia do carro enquanto levava filhas ao encontro do ex-marido; e o meio cruel utilizado, uma vez que as múltiplas facadas no corpo e no rosto causaram intenso sofrimento à vítima.

O engenheiro está preso em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, Zona Oeste do Rio.