Justiça do Rio nega liberdade à delegada que tinha R$ 1,8 milhão em casa

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Justiça do Rio de Janeiro negou nesta quarta-feira (11) o pedido de liberdade da delegada Adriana Belém, presa nesta terça-feira (10) após agentes do Ministério Público terem encontrado R$ 1,8 milhão na casa dela. Segundo a Promotoria, há indícios de que o valor seja proveniente de lavagem de dinheiro.

Belém foi uma das 12 pessoas presas no âmbito da operação Calígula, que busca desarticular uma organização criminosa especializada em jogos de azar.

Segundo os promotores, os líderes do bando seriam Gustavo de Andrade e seu pai, o contraventor Rogério de Andrade. O Ministério Público diz que eles conseguiam manter o esquema mediante pagamento de propina a agentes das polícias Civil e Militar.

A defesa da delegada pediu o relaxamento da prisão e a concessão de liberdade provisória. No entanto, ambos os pedidos foram negados, e a juíza Daniele Lima Pires Barbosa determinou que a prisão fosse convertida em preventiva.

Na decisão, a magistrada argumentou que os valores encontrados na casa da delegada indicam a prática de corrupção passiva e que ela "estaria ocultando e/ou dissimulando a origem e movimentação desses valores provenientes de infração penal".

A juíza negou também o pedido de prisão domiciliar feito pela defesa da delegada, que é acusada pela Promotoria de ter facilitado, mediante pagamento de propina, a liberação de máquinas caça-níqueis que haviam sido apreendidas.

Segundo a denúncia, os aparelhos fariam parte de uma casa de apostas que seria do contraventor Rogério de Andrade, sobrinho de Castor de Andrade, um dos maiores bicheiros cariocas, morto em 1997.

Os promotores apuram também se Andrade, que atualmente é presidente de honra da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, tem algum envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorrido em uma emboscada em março de 2018.

Segundo a força-tarefa montada para investigar o homicídio, Andrade e Ronnie Lessa, acusado pela morte da vereadora, atuavam juntos pelo menos desde 2009 e se reaproximaram no mês seguinte ao crime. Eles conversaram sobre a abertura de um bingo ilegal na Barra da Tijuca, na zona oeste.

"Desde o primeiro momento que essa equipe assumiu o caso, revisitamos tudo o que foi produzido. É fato notório e público o vínculo entre eles, entre o Ronnie Lessa e o chefe da organização criminosa que figura como 01 dessa denúncia, o Rogério de Andrade", disse o promotor Diogo Erthal.

"Por óbvio, essa é uma das linhas de investigação. Mas, nesse momento, nós não temos elementos para dizer nem que sim, nem que não. Se a resposta fosse sim, nesse momento ele estaria sendo denunciado por outro crime", continuou ele durante entrevista coletiva.

Procurada, a defesa de Rogério de Andrade afirmou por mensagem que "essa operação, além de não deixar demonstrada a necessidade de prisão cautelar do Rogério, reluz claramente uma afronta ao STF [Supremo Tribunal Federal] que acaba de conceder o trancamento de uma ação penal contra ele".

A reportagem não localizou a defesa de Adriana Belém.

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