Justiça do RJ quer reabrir caso contra George Santos, diz jornal

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia antes da posse do deputado eleito nos EUA George Santos, a Justiça brasileira informou nesta segunda-feira (2) que deve reabrir investigação contra o parlamentar por suposta fraude, segundo o jornal americano The New York Times.

Em 2008, Santos foi indiciado no Brasil por estelionato sob suspeita de ter furtado um talão de cheques que teria usado para fazer compras em Niterói (RJ) --os cheques de R$ 2.144 não teriam fundos.

O processo contra Santos havia sido suspenso porque as autoridades não conseguiam localizá-lo. Nathaly Ducoulombier, porta-voz do Ministério Público do Rio de Janeiro, disse ao New York Times que, com a eleição e consequente paradeiro identificado do parlamentar, um pedido formal será feito ao Departamento de Justiça dos EUA para notificá-lo das acusações.

O processo criminal contra Santos no Brasil foi divulgado após o jornal americano revelar discrepâncias no currículo do parlamentar.

Filho de imigrantes brasileiros, Santos admitiu que não se formou na Baruch College, de onde dizia ter um diploma --diretores da faculdade não encontraram registros de alguém com seu nome ou sua data de nascimento que tivesse encerrado lá os estudos em 2010, e que nunca trabalhou no Citigroup ou no Goldman Sachs, que constavam de sua biografia. As duas empresas de Wall Street afirmaram que não têm qualquer registro de que ele tenha trabalhado para elas em algum momento.

Santos teria lidado com as firmas em trabalhos realizados por uma outra firma, a LinkBridge Investors, da qual teria sido vice-presidente --o New York Times comprovou o vínculo dele com a empresa. Segundo ele, a afirmação de que passou por Citigroup e Goldman Sachs se deveu a uma "escolha ruim de palavras".

Outro assunto tratado em uma entrevista do deputado eleito ao New York Post foi sua origem familiar. Na esteira das denúncias da semana passada, a publicação judaica The Forward relatou que Santos teria enganado os eleitores também sobre ter ascendência judaica.

Em seu site e em declarações dadas durante a campanha eleitoral, ele contou que a mãe, Fatima Devolder, nasceu no Brasil, filha de imigrantes que "fugiram da perseguição aos judeus na Ucrânia, estabeleceram-se na Bélgica e novamente fugiram da perseguição durante a Segunda Guerra Mundial".

De acordo com The Forward, porém, citando informações do site de genealogia My Heritage, documentos de imigração brasileiros e bancos de dados de refugiados, os pais de Devolder parecem ter nascido no Brasil antes da Segunda Guerra. Nesta terça (27), a Coalizão Judaica Republicana informou que Santos não será mais bem-vindo a eventos do grupo.