Justiça russa aumenta em mais seis meses prisão do opositor Ilya Yashin

Um tribunal da Rússia prolongou, nesta quarta-feira (22), por mais seis meses, a detenção do opositor Ilya Yashin, que pode ser condenado a dez anos de prisão por denunciar a ofensiva do presidente Vladimir Putin na Ucrânia.

O julgamento contra Yashin, de 39 anos, começou nesta quarta-feira e reflete a repressão ferrenha das autoridades russas às vozes críticas. A maior parte dos opositores está exilada ou na prisão.

No entanto, Yashin, um ex-integrante da assembleia municipal de Moscou, se recusou a deixar o país depois que Putin enviou tropas à Ucrânia em 24 de fevereiro e condenou a ofensiva no YouTube, onde tem 1,3 milhão de seguidores.

As autoridades o detiveram em junho, em um parque da capital, e o acusaram de difundir "informações falsas" com "incitação ao ódio", um crime punido com dez anos de prisão.

Em abril, durante uma transmissão na plataforma de vídeos, Yashin denunciou o "assassinato de civis" na cidade ucraniana de Butcha, perto de Kiev, onde as forças russas foram acusadas de cometer atrocidades, o que Moscou nega.

Yashin é aliado do opositor Boris Nemtsov, assassinado em 2015, e do ativista anticorrupção Alexei Navalny, preso desde 2021 após sobreviver a uma tentativa de envenenamento que ele atribui ao Kremlin.

- 'Sou um patriota russo' -

Durante a audiência, Yashin exigiu ser colocado em liberdade enquanto durar o julgamento, argumentando que não tinha a intenção de evitar a Justiça abandonando o país.

"Se eu quisesse fugir, já o teria feito há muito tempo", disse.

"Amo meu país e estou disposto a sacrificar minha liberdade para viver aqui [...] Sou um patriota russo", acrescentou.

Contudo, a promotoria argumentou que Yashin deveria permanecer em prisão preventiva porque havia "infligido um dano considerável à Rússia" e aumentado "as tensões políticas durante a operação militar especial", termo que Moscou usa para designar sua ofensiva na Ucrânia.

Um dos advogados do ativista, Vadim Prokhorov, assinalou que o prolongamento de sua detenção até 10 de maio era ilegal. A próxima audiência será em 29 de novembro.

- 'Silenciar' -

Durante a detenção, Yashin continuou denunciando a intervenção militar na Ucrânia. No início de novembro, acusou os juízes russos de serem "servos" do governo e de darem a Putin uma "sensação de impunidade".

"Finalmente, este sentimento levou nosso país a uma guerra sangrenta e a dezenas de milhares de vítimas", criticou.

Pouco depois do início da ofensiva na Ucrânia, as autoridades acrescentaram novos artigos ao código penal, destinados a punir quem "desacreditar" ou "publicar informações falsas" sobre o exército.

Os opositores do Kremlin enfatizam que as normas são ambíguas, por isso podem ser aplicadas contra grande parte da população. O objetivo, segundo eles, é poder perseguir qualquer pessoa que critique a operação militar na Ucrânia.

"Esta lei é absolutamente ilegal", denuncia Anastasia Leonova, de 48 anos. Ela compareceu ao tribunal com sua filha para apoiar o opositor e acusa as autoridades de tentarem "silenciar as pessoas".

"Nós nos reuníamos todas as quintas-feiras na cozinha para ver os discursos de Yashin. Eu, minha mãe e minha avó de 87 anos", contou sua filha, Olga Leonova, de 20 anos.

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