Justiça russa impõe fim da mais antiga organização de Defesa dos Direitos Humanos

Um tribunal russo ordenou, esta quarta-feira, a dissolução do Grupo Moscovo Helsínquia, a ONG de defesa dos Direitos Humanos mais antiga da Rússia. Uma tomada de posição na sequência de um pedido apresentado pelo ministério da Justiça da Rússia.

De acordo com o referido órgão governativo a organização, criada em 1976 por dissidentes soviéticos, estava a violar o seu registo legal, efetuado na capital do país, ao trabalhar noutras cidades. Para os membros do organismo as acusações são "absurdas".

Este grupo é o autor de relatórios sobre violações dos Direitos Humanos em todo o país.

Os seus membros exigiam, e entre outras coisas, a libertação dos presos políticos e o reestabelecimento dos direitos democráticos no país.

Nas redes sociais, a comissária para os Direitos Humanos no seio da União Europeia, afirmava que a decisão de "liquidar" o referido núcleo "é mais um caso de represálias e assédio que os defensores dos Direitos Humanos enfrentam na Rússia". Dunja Mijatovic afirmava que é preciso "continuar" a apoiar este e outros grupos e os seus advogados.

Moscovo cala vozes dissidentes

Esta era uma das últimas vozes críticas do regime, numa altura em que a repressão aumenta.

Em dezembro de 2021, as autoridades russas encerraram outro proeminente grupo de defesa dos Direitos Humanos fundado na era soviética, o Memorial.

Vários meios de comunicação independentes, grupos de ativistas da oposição foram declarados "indesejáveis" o que os ilegaliza, e encerrados pelas autoridades russas nos últimos anos. Outros, incluindo organizações de assistência jurídica que passaram, nos últimos anos, a funcionar como entidades informais para evitar serem afetadas pelas leis restritivas em vigor no país.