Justiça suspende processo que pode cassar Camilo Cristófaro

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Acusado de racismo, o vereador Camilo Cristófaro (Avante) obteve uma decisão, em caráter liminar na Justiça, na qual suspende o seu processo de cassação na Corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo.

Em sua defesa, ele alegou que a vereadora Elaine Mineiro (PSOL), relatora do parecer de admissibilidade da denúncia, é "suspeita e parcial" por ter se manifestado contra a fala dele no Plenário da Casa.

Em nota, o corregedor-geral, Gilberto Nascimento Júnior (PSC), confirmou que o processo disciplinar contra Cristófaro foi suspenso, na tarde desta terça-feira (21), até que haja uma deliberação por parte do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A Procuradoria da Câmara vai recorrer da decisão da desembargadora Ana Liarte, segundo Nascimento Júnior.

O gabinete de Elaine também disse que tomará as medidas processuais cabíveis para defender a sua atuação.

Para Elaine, que integra o mandato coletivo Quilombo Periférico, a alegação de Cristófaro está contaminada pela lógica racista e inferioriza a sua atuação na Câmara. "Sou uma vereadora negra, defensora da pauta antirracista e possível vítima de sua fala", afirma Elaine, em nota.

Cristófaro foi denunciado à Corregedoria da Câmara após ter dito, em sessão no dia 3 de maio, a frase: "não lavaram a calçada, é coisa de preto". Elaine foi escolhida para relatar o caso.

No dia 24 do mesmo mês, o Plenário da Casa acatou o relatório de Elaine e, com 51 votos favoráveis, o Plenário deu aval à abertura do processo que pode levar à cassação do vereador do Avante.

Além da denúncia na Câmara, a bancada do PSOL registrou um boletim de ocorrência na Decradi, a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, em São Paulo, contra Cristófaro.

Nesta terça (21), segundo a Secretaria de Segurança Pública, o caso continuava em investigação, mas a Polícia Civil já indiciou o vereador pelo crime racial. Caberá ao Ministério Público dar sequência e oferecer denúncia à Justiça ou solicitar o arquivamento do caso.

"O caso segue em investigação pela Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e de Delitos de Intolerância (DECRADI) do DHPP. A polícia analisou um vídeo da reunião onde ocorreu o crime e ouviu o autor, que confessou os fatos. Ele foi indiciado com base no artigo 20, parágrafo 2ª, da Lei 7716/89 (Lei de Crime Racial)", diz a nota da SSP.

A reportagem procurou Cristófaro, que não se manifestou até a publicação deste texto.

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