Justiça do Vaticano é mal preparada contra crimes financeiros, segundo Conselho da Europa

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Justiça do Vaticano é mal preparada contra crimes financeiros, segundo o Conselho da Europa

Peritos do Moneyval -um órgão do Conselho da Europa- publicaram nesta quarta-feira(9) um relatório de fiscalização "positivo" sobre os avanços da Santa Sé para acabar com a lavagem de dinheiro, mas criticaram o sistema judicial, pouco armado diante dos crimes financeiros.

O relatório recomenda que os serviços judiciais do papa contratem mais promotores com experiência em crimes financeiros complexos e fortaleçam sua unidade de investigadores financeiros.

Ele também pede um melhor procedimento para investigar cardeais e bispos, no topo da Igreja. Os inspetores também destacam a falta de pessoal, dada a morosidade dos processos.

Por exemplo, é mencionado que um processo aberto contra um ex-presidente do Banco do Vaticano durou anos, até que o réu foi condenado em janeiro a nove anos de prisão por ter vendido fraudulentamente bens imóveis pertencentes à Santa Sé.

É a primeira sentença de prisão proferida no Estado do Vaticano por um crime financeiro.

A inspeção de Moneyval, que ocorreu no outono, antes desta decisão, conclui que as penas aplicadas pela justiça do Vaticano são frequentemente "mínimas" e "não dissuasivas".

“Globalmente, os resultados do tribunal são modestos”, diz o órgão, referindo-se a duas condenações por lavagem de dinheiro em 2018 e 2019.

O relatório surge após dois anos turbulentos por uma investigação interna sobre o financiamento pouco transparente - e potencialmente antiético - da compra de um luxuoso edifício em Londres pela Santa Sé.

Além disso, um dos cardeais mais influentes do Vaticano, o italiano Angelo Becciu, foi destituído pelo papa por suspeitas de "desvio de fundos" em benefício de seus irmãos.

Ele foi um dos que participou da decisão de compra do prédio londrino.

No entanto, a Santa Sé beneficia coletivamente de um "relatório positivo" pelos seus esforços para assegurar uma "cooperação internacional construtiva" nas áreas de lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

“Há um rigoroso programa de fiscalização das transações”, consideraram os fiscais do Conselho da Europa.

O Vaticano recebeu esses comentários com "satisfação", assim como a Autoridade para a Supervisão de Informações Financeiras (ASIF), recentemente reformada pelo papa.

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