Justiça condena tio de Michelle Bolsonaro e outros 6 PMs por organização criminosa

Redação Notícias
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First lady Michelle Bolsonaro accompanies her husband Brazil's President Jair Bolsonaro, to a ceremony to commemorate Public Servant Day, at the Planalto Presidential Palace in Brasilia, Brazil, Wednesday, Oct. 28, 2020. (AP Photo/Eraldo Peres)
Os militares foram presos em maio de 2019 na Operação Horus, realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal, que mirava o grupo envolvido em grilagem de terras (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)
  • A Justiça condenou sete policiais militares a 10 anos de prisão por organização criminosa; entre os condenados, está o tio da primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro

  • Os militares foram presos em maio de 2019 acusados de lotear ou registrar terra pública sem autorização do órgão competente

  • De acordo com as investigações, os criminosos agiam com violência para expulsar pessoas dos lotes de interesse

A Justiça do Distrito Federal condenou sete policiais militares a 10 anos de prisão por organização criminosa. Entre os condenados, está o tio da primeira-dama do Brasil, Michelle Bolsonaro, o primeiro-sargento João Batista Firmo Ferreira

Os militares foram presos em maio de 2019 na Operação Horus, realizada pela Polícia Civil do Distrito Federal, que mirava o grupo envolvido em grilagem de terras — lotear ou registrar terra pública sem autorização do órgão competente. 

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O nome vem da descrição de uma prática antiga de envelhecer documentos forjados para conseguir a posse de determinada área de terra, colocando os papéis em uma caixa com grilos. Com o passar do tempo, a ação dos insetos dava aos documentos uma aparência envelhecida.

As investigações também tiveram apoio do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Indícios apontavam que os policiais militares eram milicianos e atuavam para beneficiar esquema ilegal de parcelamento de terras no Sol Nascente.

A ação foi batizada de Horus — o deus do sol, segundo a mitologia egípcia. É uma referência ao Sol Nascente.

Veja o nome dos PMs condenados:

  • Agnaldo Figueiredo de Assis 

  • Francisco Carlos da Silva 

  • Cardoso Jair Dias Pereira

  • João Batista Firmo Ferreira

  • Jorge Alves dos Santos 

  • José Deli Pereira da Gama 

  • Paulo Henrique da Silva

O primeiro-sargento João Batista Firmo Ferreira é irmão de Maria Aparecida Firmo Ferreira, mãe de Michelle.

Criminosos agiam com violência

Segundo os investigadores, os acusados foram responsáveis pelo surgimento de dezenas de loteamentos ilegais na área. Ao jornal Metrópoles, a Polícia informou que colaborou com as investigações e que o caso corre sob sigilo de Justiça. 

A denúncia do MPDFT, a qual o jornal teve acesso, diz que o tio de Michelle Bolsonaro, assim como outros investigados, “negocia lotes de ‘beco’ [áreas destinadas originalmente para passagens de pedestres] e outros terrenos de áreas públicas ‘griladas’”. 

JAMANXIM NATIONAL FOREST, PARA STATE, BRAZIL - 2009/04/04: Dead Brazil nut tree - illegal occupation of Government land - land grabbing, Amazon deforestation at Flona do Jamanxim ( Floresta Nacional do Jamanxim / Jamanxim National Forest ), Para State, Amazon rainforest, Brazil. (Photo by Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images)
Os investigadores afirmam que a análise dos dados bancários de João Firmo reforçaram o vínculo dele com a organização criminosa (Foto: Ricardo Funari/Brazil Photos/LightRocket via Getty Images)

Os diálogos, conforme a denúncia, confirmam o modo de agir da organização criminosa, que se valia de violência para expulsar pessoas dos lotes de interesse.

Em um deles, de 31 de julho de 2015, o primeiro-sargento comenta “que tem um vagabundo querendo invadir a chácara de novo”. 

“João narra que falou para o cara ligar para ele cedo, porque ele vai ‘arruma’ (sic) uns pistoleiros. João diz que já mobilizou ‘uns polícias’ (sic) lá para ajudá-lo”, transcreve um trecho da denúncia.

Em 16 de junho de 2015, ele disse que vendeu um barraco “na 115” por R$ 60 mil. O interlocutor questiona se o governo não demoliu e ele responde “que derrubou, mas já construiu novamente, murou e tem gente morando lá e que a pessoa que comprou vende por R$ 80 mil”.

De acordo com o Metrópoles, os investigadores afirmam que a análise dos dados bancários de João Firmo reforçaram o vínculo dele com a organização criminosa.

Desdobramentos da investigação

A operação é um desdobramento de investigação iniciada na 19ª Delegacia de Polícia (P Norte) há oito anos. 

Ao longo da apuração, foi identificado, dentro da organização criminosa, um núcleo que atuava como braço armado para cometer crimes relacionados às invasões de terras como ameaças e homicídios.

A primeira fase tinha o objetivo de desarticular esse núcleo, composto por policiais militares denunciados pelo Gaeco por crime de organização criminosa. 

De acordo com o MPDFT, eles eram responsáveis por proteger e dar suporte aos grileiros, assim como comercializar parte dos terrenos. 

As investigações têm como base informações contidas em inquérito policial militar instaurado pelo Departamento de Controle e Correição da PMDF para apurar os fatos.

Histórico de problemas de familiares com a Justiça

Não é a primeira vez que algum familiar da esposa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se envolve em algum crime ou tem algum problema com a polícia e a Justiça.

Em 2019, a revista Veja revelou que a avó materna da primeira-dama foi presa por tráfico de drogas, sua mãe foi acusada de falsificação, além do tio foi preso e acusado de envolvimento com milícia — agora condenado.

O presidente Bolsonaro chegou a dizer que Michelle estava “abatida” e “arrasada” com a divulgação do histórico de problemas de seus familiares com a polícia e a Justiça.

Segundo relato do jornal Folha de S. Paulo, Bolsonaro disse que as informações são verdadeiras, mas questionou “o ganho jornalístico” com a publicação.

“Quem ganha com isso? (…) Ela está abatida, arrasada, para que isso?”, disse, após participar de um evento em Brasília.