Justiça de SP pede a banco informações de transações de escritório ligado à Salles

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BRASILIA, BRAZIL - APRIL 22: Brazilian Minister of the Environment Ricardo Salles speaks during press conference  after participating virtually in the Climate Global Summit organized by Joe Biden at Planalto Palace on April 22, 2021 in Brasilia. This morning Brazilian President Jair Bolsonaro spoke at the Climate Summit. (Photo by Andressa Anholete/Getty Images)
Ex-minitro do Meio Ambiente Ricardo Salles. Foto: Andressa Anholete/Getty Images
  • Escritório de advocacia do qual o ex-ministro é sócio tem movimentações suspeitas

  • Promotoria investiga enriquecimento de Salles

  • A Justiça do estado e o STF já pediram quebra de sigilo bancário de mãe do ex-ministro

A Justiça de São Paulo determinou que um banco revele mais detalhes sobre operações financeiras ligadas ao escritório de advocacia relaciona ao ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, dias antes de sua saída da pasta.

O pedido veio do Ministério Público Federal (MPF) de São Paulo, que investiga, de forma sigilosa, uma suspeita de enriquecimento ilícito de Salles na década passada, quando deixou cargo de advogado para ser servidor na administração de Geraldo Alckmin (PSDB).

A iniciativa da promotoria de São Paulo se ajunta a outras providências judiciais tomadas recentemente em investigações do ex-ministro.

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Salles foi exonerado do cargo de ministro da última quarta-feira (23), depois de passar dois anos e meio no primeiro escalão do Executivo federal. Ele também é suspeito de promover o desmonte da fiscalização ambiental, perseguir servidores e aparelhar órgãos públicos com aliados políticos.

Transações financeiras de Salles a partir do mesmo escritório de advocacia que está no foco da Justiça de São Paulo foram apontadas como suspeitas durante o período em o ex-ministro esteve à frente da pasta.

Tais transações estão ligadas à suspeita de tráfico internacional de madeira, cuja participação de Salles é investigada pela Polícia Federal, que enviou o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O Ministério Público avalia um aumento do patrimônio do ex-ministro de R$ 7,4 milhões em seis anos, entre 2012 e 2018, a partir das declarações de Salles à Justiça Eleitoral. Depois de uma análise dos valores recebidos por Salles do escritório de advocacia e do governo paulista, os investigadores avaliaram que os dados eram insuficientes para explicar o montante declarado, assim a Justiça autorizou a quebra de sigilo fiscal e bancário.

A partir dos dados bancários, a Promotoria concluiu ser preciso complementar os registros sobre um conjunto de ao menos 18 transações que tiveram o escritório de advocacia como credor, que somavam um total de R$ 1,5 milhão movimentado.

Esta necessidade que motivou o pedido recente da Justiça de São Paulo. Foram solicitados CNPJs e CPFs dos responsáveis por depósitos na conta do escritório.

Entre 2012 e 2017, o escritório transferiu à Salles cerca de R$ 2,8 milhões em sua conta pessoal.

Além da quebra de sigilo do ex-ministro, em 2019, a Justiça estendeu a medida judicial à banda de advocacia e à mãe e sócia de Salles, Diva Carvalho de Aquino, no ano passado.

Por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que é relator da apuração da PF sobre exportação ilegal de madeira, a corte também pediu a quebra de sigilo de Salles, do escritório e de Diva.

A PF diz que há R$ 14,1 milhões em transações financeiras atípicas envolvendo a banca do escritório.

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