Justiça decide soltar Paulo 'Galo', suspeito de atear fogo na estátua de Borba Gato em SP

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Grupo incendeia estátua de Borba Gato, na zona sul de São Paulo
Grupo incendeia estátua de Borba Gato, na zona sul de São Paulo
  • O Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou nesta quinta-feira (5) a prisão temporária do entregador de aplicativos Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como "Galo"

  • Preso desde o dia 28 de julho, o entregador é acusado pela polícia de ter participação no incêndio da estátua de Borba Gato

  • No último domingo (1º), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) havia negado o pedido de habeas corpus feito pela defesa do entregador

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogou nesta quinta-feira (5) a prisão temporária do entregador de aplicativos Paulo Roberto da Silva Lima, conhecido como "Galo", acusado pela polícia de ter participação no incêndio da estátua de Borba Gato, no último dia 24, na Zona Sul de São Paulo.

Galo está preso desde o dia 28 de julho, quando se apresentou de mandeira espontânea ao 11º Distrito Policial de Santo Amaro, onde é investigado o incêndio. Segundo a assessoria de imprensa do entregador, ele deverá ser solto ainda hoje.

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No último domingo (1º), o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) havia negado o pedido de habeas corpus feito pela defesa do entregador. O desembargador Walter da Silva, da 14ª Câmara do TJ-SP, não tinha visto elementos para revogar a prisão do ativista.

Para os advogados do escritório Jacob e Lozano, que defende o entregador de aplicativos, a decisão do TJ-SP tinha fundamentos de "caráter político", pois cita o fato de "Galo fazer parte do movimento 'Motoboys Antifascistas'".

Na ocasição, os defensores classificaram a decisão do TJ-SP como "arbitrária e ilegal", pois "não estão preenchidos os requisitos da prisão temporária" e que "Galo está contribuindo com as investigações”.

Por este motivo, a defesa decidiu recorrer da decisão do TJ-SP no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A liminar no STJ que pede a soltura do entregador foi deferida na tarde desta quinta-feira (5).

No dia da prisão, o advogado de defesa chegou a afirmar que "todo ato político, seja de direita ou esquerda, chama atenção" e que o objetivo dos manifestantes era abrir o debate sobre a homenagem ao bandeirante Borba Gato (Foto: Reprodução)
No dia da prisão, o advogado de defesa chegou a afirmar que "todo ato político, seja de direita ou esquerda, chama atenção" e que o objetivo dos manifestantes era abrir o debate sobre a homenagem ao bandeirante Borba Gato (Foto: Reprodução)

Debate sobre homenagem a Borba Gato

Entre os séculos XVI e XVII, Borba Gato e outros bandeirantes atuaram na captura de escravos fugitivos, destruição de quilombos, aprisionamento de indígenas, mapeamento de territórios e na procura de pedras e metais preciosos.

Eles desbravaram territórios no interior do país e capturaram e escravizaram indígenas e negros. Segundo historiadores, muitos mataram índios em confrontos que acabaram por dizimar etnias. Também estupraram e traficaram mulheres indígenas.

No dia da prisão, o advogado de defesa chegou a afirmar que "todo ato político, seja de direita ou esquerda, chama atenção" e que o objetivo dos manifestantes era abrir o debate sobre a homenagem ao bandeirante Borba Gato.

Liberdade à companheira de "Galo"

No último dia 30, a Justiça de São Paulo concedeu liberdade para a companheira de Galo, Gessica Barbosa, que foi presa por suposto envolvimento incêndio à estátua de Borba Gato.

De acordo com a defesa, Gessica não foi indiciada. Ela disse à polícia que estava em casa cuidando da filha de 3 anos e do irmão no momento da manifestação. O delegado pediu, porém, que "Galo" continuasse preso.

"Na última sexta feira, a Juíza de primeira Instância, Gabriela Marques da Silva Bertoli, havia prorrogado a prisão cautelar de Galo por mais cinco dias", afirmou, nas redes sociais, a equipe de defesa do entregador.

Incêncido à estátua de Borba Gato

No último dia 24, um grupo desembarcou de um caminhão e espalhou pneus na avenida Santo Amaro e em torno do monumento do bandeirante Borba Gato, ateando fogo logo depois. O movimento Revolução Periférica assumiu a autoria do incêndio.

Policiais militares e bombeiros chegaram na sequência, controlaram as chamas e liberaram o tráfego. O ato terminou sem feridos nem detidos.

Em um vídeo postado nas rede sociais no dia 14 de julho, um dos integrantes do grupo afirmava que Borba Gato contribuiu ativamente para o genocídio da população indígena.

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