Justiça desobriga Bolsonaro a mostrar exame de coronavírus

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O Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) acolheu o recurso da Advocacia-Geral da União (AGU) e derrubou a decisão que obrigou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) a entregar à Justiça "os laudos de todos os exames" realizados para detectar um possível contágio de coronavírus.

A desembargadora plantonista Mônica Nobre suspendeu o cumprimento da decisão pelo prazo de cinco dias, para que o relator do caso na segunda instância analise os argumentos da União. Bolsonaro seria obrigado a mostrar os testes, solicitados pelo jornal "O Estado de S. Paulo", até o último sábado (2).

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Na sexta, o governo entregou um relatório, assinado por dois médicos da Presidência da República em 18 de março, informando que Bolsonaro estava assintomático e havia testado negativo para Covid-19.

Bolsonaro já declarou que o resultado dos exames deu negativo, mas se recusa a divulgar os testes. Em entrevista à rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, na última quinta, o presidente admitiu que "talvez" tenha sido contaminado pelo novo coronavírus: "Eu talvez já tenha pegado esse vírus no passado, talvez, talvez e nem senti".

O presidente realizou dois testes (em 12 e 17 de março), após retornar de uma viagem aos Estados Unidos em que pelo menos 23 pessoas de sua comitiva foram infectados pelo coronavírus. Entre eles, auxiliares próximos, como o secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fabio Wajngarten, e o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno.