Justiça Federal condena seis por desvio de merenda em São Paulo

Merenda era desviada para festas da prefeitura. Foto: Reprodução

A Justiça Federal condenou seis pessoas que estavam envolvidas em um desvio de verbas da merenda escolar em Paulistânia, em São Paulo, entre os anos de 2001 e 2003, depois de denúncia feita pelo MPF (Ministério Público Federal).

Os desvios eram feitos da seguinte forma: produtos de estabelecimentos ligados à pessoas próximas ao então prefeito Alcides Francisco Casaca eram comprados sem licitação. Ele, no entanto, não chegou a ser denunciado.

Isso aconteceu por conta da prescrição dos crimes, considerando que ele já tinha mais de 70 anos quando a acusação foi apresentada.

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Após serem comprados, alguns produtos que eram para alimentar estudantes da rede municipal iam parar em confraternizações da prefeitura e eram consumidos em churrascos e eventos esportivos.

Além disso, as investigações mostraram que as comidas que deveriam ir para as crianças também eram distribuídas em cestas básicas para que fossem distribuídas para fins eleitorais.

De acordo com as investigações, as quantidades das comidas que a prefeitura encomendava também eram muito maiores do que as escolas realmente precisavam naquele momento.

As investigações mostraram, por exemplo, que a carne bovina que foi comprada durante um ano, seria o suficiente para as crianças comerem por mais de cinco anos. Algo parecido aconteceu com mais de 10 ítens da lista de compras.

Além disso, alguns produtos também eram superfaturados. A lista de compras também mostrava produtos que não eram consumidos pelas crianças e tinham nomes alterados. Lanches de metro, por exemplo, eram apenas registrados como “pães”.

O então vereador e membro do Conselho de Alimentação Escolar, Márcio Roberto Idalgo, foi condenado a nove anos e 11 meses de prisão. As investigações começaram por conta dele. Foi notado um rápido enriquecimento dele, o que fez com que tudo fosse descoberto.

Ele era administrador de um mercado que foi beneficiado pelas compras irregulares. Além disso, ele é cunhado do secretário municipal de Educação da época, João Cleber Theodoro de Andrade. Ele foi condenado a nove anos e um mês de prisão.

Também foram condenados dois irmãos de Márcio: a vereadora Maria Antônia Idalgo dos Santos, que era sócia dele no comércio, e Marcos Antônio Idalgo, genro de Alcides Casaca e dono de um açougue envolvido no esquema.

Além deles, foram condenados os comerciantes Carlos Rodrigues e Joana Darci da Silva Idalgo, que é cunhada dos irmãos Idalgo.