Justiça Militar inicia julgamento de acusados da morte de músico e catador em 2019

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Carro onde estava Evaldo e família foi atingido por vários tiros na Zona Oeste do Rio. (Foto: José Lucena/Futura Press)
Carro onde estava Evaldo e família foi atingido por vários tiros na Zona Oeste do Rio. (Foto: José Lucena/Futura Press)
  • Militares dispararam 257 vezes contra carro em que vítima estava com a família

  • Defesa alega que catador era criminoso

  • MPM pediu que oito militares sejam julgados

Nesta quarta-feira (13), a Justiça Militar começa o julgamento dos 12 militares do Exército acusados de matar o músico Evaldo dos Santos Rosa e o catador de latinhas Luciano Macedo, no dia 8 de abril de 2019.

Naquele dia, Evaldo estava no carro com a família dirigindo para um chá de bebê, quando o veículo foi atingido por 62 dos 257 tiros de fuzil feitos pelos militares.

Os acusados também respondem pelas tentativas de homicídio contra os parentes de Evaldo que estavam no carro e por não prestarem socorro aos feridos.

Já Luciano passava pelo local e foi atingido pelos disparos ao tentar socorrer Evaldo. A polícia alega que atirou porque o catador seria um criminoso e estaria tentando realizar um assalto. Nenhuma arma foi apreendida. Luciano morreu dias depois no hospital.

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A viúva do músico, Luciana dos Santos Nogueira, nega a narrativa dos militares. "Luciano foi tão vítima quanto o meu marido. Isso não é verdade, e eles sabem", afirmou.

O Ministério Público Militar (MPM) pede a condenação de oito dos doze militares envolvidos. São ele:

  • Tenente Ítalo da Silva Nunes

  • Sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva

  • Cabo Leonardo Oliveira de Souza,

  • Soldado Gabriel Christian Honorato

  • Soldado Matheus Sant’Anna

  • Soldado Marlon Conceição da Silva

  • Soldado João Lucas da Costa Gonçalo

  • Soldado Gabriel da Silva de Barros Lins

O MPM pede também que eles sejam condenados pela tentativa de homicídio de Sérgio Gonçalves de Araújo, sogro de Evaldo que estava no veículo e foi atingido e sobreviveu. As outras pessoas que estavam no carro - a esposa de Evaldo, seu filho de 7 anos e uma amiga da família - não foram atingidos.

"Os acusados definitivamente, por prova segura e inconteste dos autos, não estavam em situação de legítima defesa. Os militares apertaram os gatilhos de seus fuzis sem previamente certificarem-se de quem eram as pessoas à sua frente", afirmaram a promotora Najla Nassif Palma e o procurador de Justiça Militar Luciano Gorrilhas, nas alegações finais.

Além disso, eles argumentam que os militares atiraram "porque desejavam executar as pessoas que estavam dentro do veículo, acreditando que ali se encontravam os criminosos com quem haviam trocado disparos anteriormente".

Os outros quatro militares tiveram a absolvição requerida pelo MPM, pois não efetuaram disparos.

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