Justiça nega pedido de prisão preventiva de homem branco que furtou bicicleta no Rio

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Igor já havia sido preso pelo mesmo crime em 2018 pela Polícia Civil (Foto: Reprodução/TV Globo)
Igor já havia sido preso pelo mesmo crime em 2018 pela Polícia Civil (Foto: Reprodução/TV Globo)
  • A Justiça do Rio negou o pedido de prisão preventiva de Igor Martins Pinheiro, de 22 anos, detido pelo furto de uma bicicleta elétrica em frente ao Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio, no último sábado (12)

  • O crime teria motivado a falsa acusão contra o instrutor de surfe negro Matheus Ribeiro, que aguardava a namorada em frente ao local, e foi apontado como o "ladrão" da bicicleta

  • Na decisão, a juíza alega que o reconhecimento do rapaz foi feito por policiais civis, o que poderia gerar confusão já que os agentes investigam "crimes da mesma natureza"

A Justiça do Rio negou o pedido de prisão preventiva de Igor Martins Pinheiro, de 22 anos, detido pelo furto de uma bicicleta elétrica em frente ao Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio, no último sábado (12). O jovem foi identificado através das imagens das câmeras de segurança do bairro.

O crime teria motivado a falsa acusão contra o instrutor de surfe negro Matheus Ribeiro, que aguardava a namorada em frente ao local, e foi apontado por Mariana Spinelli e Tomás Oliveira como o "ladrão" da bicicleta. 

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Ribeiro, que também é estudante de educação física, registou uma ocorrência contra o casal por racismo, mas o caso é tratado com calúnia pela 14 ª DP, localizada no Leblon.

Na decisão, a juíza Simone de Araújo Rolim, da 29ª Vara Criminal do Rio, afirma que o crime não foi praticado mediante violência ou grave ameaça. Segundo ela, não há "indícios suficientes de autoria" ou "suporte probatório mínimo" para assegurar a conversão da prisão.

Igor, também conhecido como "Lorão", já foi preso por outros furtos, como em 2018. Neste caso, da bicicleta no Leblon, com ele foi apreendida a bermuda que ele utilizava na hora do crime. Ele já foi preso outras sete vezes.

Além disso, a magistrada alega que o reconhecimento do rapaz foi feito por policiais civis, o que poderia gerar confusão já que os agentes investigam "crimes da mesma natureza".

"O reconhecimento em questão foi feito por policial civil que investiga crimes da mesma natureza praticados no bairro, através de imagens captadas pelas câmeras de segurança de prédios vizinhos ao local em que a bicicleta se encontrava estacionada, ocorre que as imagens possuem baixa qualidade técnica e o suposto autor do fato aparece utilizando-se de máscara e óculos escuros, o que dificulta a fidelidade de sua identificação", diz trecho da decisão.

(Foto: Reprodução/Instagram)
(Foto: Reprodução/Instagram)

Casal nega que abordou jovem negro em "razão da cor da pele"

Em depoimento prestado à delegada Natacha Alves de Oliveira, titular da 14ª DP (Leblon), Mariana Spinelli e Tomás Oliveira negaram que tenham feito acusações ao instrutor de surfe Matheus Ribeiro pelo furto de uma bicicleta elétrica.

O casal afirmou que não abordou Matheus “em razão da cor da pele” do jovem e disse que teriam o mesmo comportamento caso de tratasse de uma pessoa branca.

Segundo o Globo, que teve acesso às declarações, Mariana comprou a bicicleta para auxiliá-la no deslocamento de casa e para o trabalho, pelo valor de R$ 8.115, parcelados em 12 vezes, no dia 7, fazendo “um grande esforço financeiro”. 

Ela contou ter chegado ao shopping, acompanhada do namorado, e prendido o veículo com um cadeado no bicicletário na porta do estabelecimento. 

Cerca de 30 minutos depois, ao deixar o shopping, Mariana diz não ter mais visto sua bicicleta onde havia deixado. A moça então alegou ter se desesperado e, ao olhar para o lado, viu uma bicicleta preta igual a sua, com cadeado de ferro preto com detalhe cinza. 

Casal branco foi acusado de racismo após insinuar que jovem negro havia roubado bicicleta (Foto: Reprodução)
Casal branco foi acusado de racismo após insinuar que jovem negro havia roubado bicicleta (Foto: Reprodução)

"Já me consideravam culpado por ser negro", diz jovem acusado

Após o episódio, Matheus Ribeiro afirmou que o casal branco que o acusou o "considerou culpado por ser negro".

"Ela não tem ideia de quem levou sua bicicleta, mas a primeira coisa que vem à sua cabeça é que algum neguinho levou”, disse, referindo-se a jovem que o acusou.

Nas redes sociais, Ribeiro explicou que foi necessário mostrar fotos antigas com a bicicleta e também a chave do cadeado para que o casal tivesse a comprovação de que a bike elétrica era realmente dele.

No dia do episódio, o casal só deixou de acusar Ribeiro quando o rapaz que acompanhava a moça pegou a tranca da bicicleta do estudante e testou sua própria chave nela. Em seguida, o homem branco pendura a tranca no guidão e pede desculpas. Já irritado, Ribeiro manda o casal sair dali. A cena foi registrada em vídeo.

"Precisei me esforçar ao máximo para provar minha inocência porque já me consideravam culpado por ser negro", disse Ribeiro.

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