Justiça suspende 580 demissões na Caoa Chery em São Paulo

Fábrica de Jacareí foi construída pela chinesa Chery, que depois teve metade das ações adquiridas pela Caoa
Fábrica de Jacareí foi construída pela chinesa Chery, que depois teve metade das ações adquiridas pela Caoa
  • Fábrica produzia o SUV Tiggo 3x, que sairá de linha, e o sedã Arrizo 6;

  • Caoa tem cinco dias para restabelecer os contatos, segundo decisão judicial;

  • Empresa quer eletrificar todos os modelos de suas marcas a partir de 2023.

A Justiça do Trabalho determinou em caráter liminar a suspensão das 580 demissões anunciadas pela Caoa Chery no município de Jacareí, em São Paulo. A empresa tem cinco dias para restabelecer os contratos de trabalho dos funcionários, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

A decisão do juiz Lucas Cilli Horta, da 2ª Vara do Trabalho de São José dos Campos, atende a um pedido feito pelo Sindicato dos Metalúrgicos. “Deverão ser imediatamente restabelecidos os contratos de trabalho abrangidos por esta decisão, com efeitos retroativos à data de dispensa, bem como restabelecidas as obrigações contratuais pertinentes”, escreveu o magistrado.

De acordo com o sindicato, os trabalhadores foram informados da dispensa por e-mail e telegramas. Desde então, a entidade tenta negociar com a empresa. A montadora sugeriu o pagamento de 7 a 15 salários nominais a título de indenização, mas a proposta foi recusada.

O sindicato tem proposto um layoff, a suspensão temporária do contrato de trabalho de cinco meses com estabilidade e salários integrais. A fábrica produzia o SUV Tiggo 3x, que sairá de linha, e o sedã Arrizo 6, que passará a ser importado.

No começo de maio, a Caoa Chery anunciou a demissão de ao menos 485 funcionários e a suspensão da produção na fábrica da montadora em Jacareí. O motivo, segundo a empresa, é que a fábrica deve passar por adequações para a produção futura de veículos elétricos. Ao todo, a planta de Jacareí emprega 627 funcionários.

Investimentos previstos

A fábrica de Jacareí foi construída pela chinesa Chery, que depois teve metade das ações adquiridas pela Caoa, que divide a produção de modelos da marca e da coreana Hyundai com a fábrica de Anápolis (GO), já preparada para receber linhas de modelos híbridos.

O investimento para os novos projetos está incluído no plano de R$ 1,5 bilhão para o período de 2021 a 2025. O grupo informa que será pioneiro no desenvolvimento e produção de veículos “verdes” no país e que vai eletrificar todos os veículos de seu portfólio até o final de 2023.

O movimento da companhia ocorre em um momento em que a chinesa Great Wall passa a operar no Brasil com projetos de fabricação de carros eletrificados na fábrica adquirida da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP).

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