De Justin Bieber e Dua Lipa a Nick Minaj, relembre artistas que tiveram polêmicas com o Grammy

Maior premiação da indústria musical, o Grammy Award anunciou nesta terça-feira (15) os indicados às categorias do próximo ano. A lista, que foi divulgada em transmissão ao vivo, conta com a brasileira Anitta, nomeada para a categoria de artista revelação. Já Beyoncé lidera as indicações e vai concorrer a nove estatuetas.

Mas nem só de glamour é feita a cerimônia, que desta vez ocorrerá no próximo dia 5 de fevereiro, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ao longo da história do prêmio, muitas brigas e acusações já aconteceram. De Justin Bieber e Dua Lipa a Nick Minaj, relembre artistas que já tiveram atritos com a premiação mais renomada da música:

The Weeknd

Apesar do sucesso que o álbum “After Hours” teve, o cantor The Weeknd não foi indicado a nenhuma categoria no Grammy 2020, que também esteve envolvido em polêmicas como acusações de fraude e outros delitos de conduta. Na ocasião, o artista escreveu em uma rede social que o Grammy “continua corrupto”: “O Grammy continua corrupto. Vocês devem transparência a mim, aos meus fãs e à indústria”, disse.

Na época, nem a Recording Academy, que é responsável pelo Grammy, conseguiu dar uma justificativa para a falta de The Weeknd nas indicações, deixando parecer que se tratava de algo pessoal. Após o ocorrido, o artista nunca mais submeteu nenhum de seus trabalhos à premiação e, portanto, não é mais indicado.

Drake

Em 2017, após ganhar dois prêmios pela canção “Hotline Bling”, Drake discordou da categoria a que foi indicado: para ele, não se tratava de rap, como colocado pelo Grammy, e sim pop: “a única categoria que eles conseguem me encaixar é no rap. Talvez por eu ter feito rap no passado, ou porque sou negro, não consigo descobrir o porquê”, disse na época.

Depois disso, ele chegou a ser indicado nas categorias “Melhor álbum” e “Melhor performance” de rap, mas ele e sua equipe fizeram o pedido para a retirada das nomeações e nunca mais se submeteram às inscrições. O cantor também criticou o Grammy por deixar The Weeknd de fora da lista de indicações e se recusou a se apresentar na cerimônia.

Justin Bieber

Em 2021, o cantor Justin Bieber não esteve presente na cerimônia do Grammy, apesar de ter sido indicado. Entre os motivos estava a insatisfação do artista por concorrer nas categorias do pop quando deveria ter sido enquadrado no R&B, gênero musical que adotou para o álbum “Changes”. No Instagram, ele foi enfático ao escrever sobre o ocorrido:

“Estou lisonjeado por ser reconhecido e apreciado por minha arte. Eu sou muito meticuloso e intencional com minha música. Com isso dito, eu me propus a fazer um álbum de R&B. ‘Changes’ foi e é um álbum de R&B. Não está sendo reconhecido como um álbum de R&B, o que é muito estranho para mim”, publicou o cantor à época.

Ariana Grande

No Grammy 2019, Ariana Grande cancelou a sua apresentação após um desentendimento com a produção da cerimônia. Isso porque a cantora teria oferecido várias músicas, mas nenhuma foi aceita. Então, ela decidiu não fazer a performance e acompanhar a premiação em casa.

Na mesma época, o produtor do evento Ken Ehrlich disse em entrevista que Ariana teria optado por sair da premiação por ser uma apresentação feita “em cima da hora”. A cantora, por outro lado, desmentiu a alegação do profissional:

“Posso preparar uma apresentação da noite para o dia e você sabe disso, Ken. Foi quando você sufocou minha criatividade e expressão pessoal que decidi não comparecer. Mantive minha boca fechada, mas agora ele está mentindo”, escreveu no Twitter.

Childish Gambino

Ainda na premiação de 2019, Childish Gambino decidiu não comparecer ao evento para receber os seus prêmios. O motivo foi a longa briga entre a premiação e a comunidade do Hip-Hop — que envolve, inclusive, acusações de machismo, racismo e marginaliação de gênero na indústria musical.

Na época, Gambino havia sido o primeiro artista do gênero a ganhar o prêmio de “Música do ano” com “This is America”, que protesta contra a violência policial nos Estados Unidos. Na mesma noite, o rapper também levou outros três gramofones de ouro.

Dua Lipa

Também no Grammy de 2019, Dua Lipa aproveitou o discurso de vitória na categoria “Revolução do ano” para alfinetar o Grammy: “Eu quero começar dizendo o quão honrada eu estou por ser indicada ao lado de tantas artistas femininas incríveis neste ano. Eu acho que neste ano nós realmente nos esforçamos, né?”, disse.

A fala foi uma indireta ao presidente da Academia na época, Neil Portnow. Em 2018, ele havia declarado que a falta de mulheres no Grammy era culpa delas mesmas. “Mulheres que têm criatividade em seus corações e almas, que querem ser da música, engenheiras, produtoras e querem fazer parte da indústria no nível executivo precisam se dedicar mais”, declarou Portnow na época.

Nick Minaj

Em 2012, o Grammy também foi alvo de acusações de racismo e machismo. Na ocasião, Nicki Minaj havia sido indicada a quatro prêmios: “Melhor álbum de Rap”, “Álbum do ano”, “Artista revelação” e “Melhor performance de Rap”. No entanto, a artista não ganhou em nenhuma categoria.

Anos mais tarde, em 2020, com a polêmica de The Weeknd, a cantora usou as redes sociais para criticar o Grammy e relembrar a “injustiça” que sofreu em 2012: “Nunca se esqueça que o Grammy não me deu o troféu de ‘Artista revelação’ quando eu tinha sete músicas simultaneamente nas paradas da Billboard”, disse a artista.

Na mesma publicação, feita no Twitter, ela ainda escreveu que, na época, teve “a maior semana de lançamento que qualquer outra mulher rapper na última década, o que inspirou uma geração”. Por isso, para ela, foi injusto quando “eles deram o prêmio para o homem branco Bon Iver”, nas palavras da cantora.

Tyler, The Creator

Outro artista negro que também criticou o racismo presente na premiação foi Tyler, The Creator. Em 2020, durante seu discurso de vitória por “Melhor álbum de rap”, ele deixou explícita a sua insatisfação com a indústria:

“Por um lado eu estou muito grato que o que eu fiz pode ser reconhecido em um mundo como esse, mas é péssimo que sempre que nós — e eu quero dizer caras que se parecem comigo — fazemos alguma coisa que transcende gêneros ou coisa assim, eles sempre colocam em alguma categoria ‘urban’ ou de rap”, reclamou Tyler.

“Eu não gosto desse termo ‘urban’. Para mim, é só uma forma politicamente correta de dizer a palavra com ‘n’ [termo em inglês racista quando usado por não-negros]. Então quando eu ouço isso, eu fico tipo, por que a gente não pode ser indicado para categoria pop? Metade de mim acha que a nomeação de ‘rap’ é um elogio ambíguo”, completou.