Kamala Harris acusa Pequim de coerção e intimidação no Mar da China Meridional

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A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, discursa em Singapura em 24 de agosto de 2021
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A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, acusou nesta terça-feira (24) Pequim de coerção e intimidação no disputado Mar da China Meridional, uma declaração rebatida pelo governo chinês, que criticou o "comportamento hegemônico" de Washington.

O governo dos Estados Unidos busca apoio de aliados contra a China e também deseja tranquilizar os sócios diante dos temores de um eventual recuo americano, provocados pela retirada caótica de suas tropas do Afeganistão.

"Pequim continua a coagir, intimidar e reivindicar a grande maioria do Mar da China Meridional", acusou Harris em um discurso em Singapura, no qual expôs as metas de política externa de seu governo para a Ásia.

"As ações de Pequim continuam minando a ordem e ameaçando a soberania das nações. Os Estados Unidos apoiam nossos aliados e parceiros diante dessas ameaças", completou no segundo dia de sua visita a Singapura, antes de viajar para o Vietnã.

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, acusou o governo dos Estados Unidos de esconder-se por trás da retórica de uma ordem global basada em regras para defender seu próprio "comportamento hegemônico e de intimidação".

"Para defender o 'America First', Estados Unidos podem difamar, oprimir, coagir e intimidar arbitrariamente outros países sem pagar qualquer. Esta é a ordem que desejam (...) Mas quem vai acreditar agora?", afirmou Wang Wenbin, em uma referência à intervenção no Afeganistão.

A China reivindica a soberania de quase todo este mar, pelo qual transitam bilhões de dólares por ano em comércio. A área também é disputada por outros quatro países do sudeste asiático e por Taiwan.

Pequim foi acusado de enviar equipamentos militares à região, incluindo lança-mísseis, e ignorar a decisão de um tribunal internacional de 2016 que declarou sem fundamento a reivindicação do país sobre a maior parte das águas do Mar da China Meridional.

Nos últimos meses aumentaram as tensões entre a China e os outros países que disputam a soberania no mar.

O governo das Filipinas expressou irritação quando centenas de embarcações chinesas foram detectadas em sua zona econômica exclusiva, enquanto a Malásia enviou aviões de combate para interceptar aeronaves militares chinesas que apareceram nas proximidades de sua costa.

- "Decisão corajosa e correta" -

A vice-presidente americana também destacou que as tensões crescentes entre China e Estados Unidos não obrigam os países com vínculos estreitos com as duas potências a escolher uma das duas.

"Nosso compromisso na Ásia, no sudeste da Ásia e na região do Indo-Pacífico não se dirige contra nenhum país e não pretende obrigar ninguém a escolher entre os países", destacou.

O secretário americano da Defesa, Lloyd Austin, também visitou Singapura em julho e criticou duramente a China por suas reivindicações marítimas.

Mas a crise no Afeganistão reforçou as dúvidas sobre a credibilidade do apoio de Washington a seus sócios, o que virou uma grande sombra durante a visita de Harris.

Kamala Harris defendeu a decisão do presidente Joe Biden de prosseguir com a retirada de tropas do Afeganistão, que chamou de medida "corajosa e correta".

Ela argumentou que a administração americana está "completamente focadas" na caótica retirada de afegãos e estrangeiros do aeroporto de Cabul após o retorno ao poder dos talibãs.

O porta-voz da diplomacia chinesa também criticou o tema. "Os acontecimentos atuais no Afeganistão nos mostram claramente quais são as regras e a agenda dos Estados Unidos".

"O governo dos Estados Unidos pode executar uma intervenção militar sem sentido em um país soberano e não sentir responsabilidade pelo sofrimento das pessoas neste país", disse Wang.

A vice-presidente americana reiterou nesta terça-feira que seu governo tem "compromissos duradouros" na Ásia e anunciou que Washington se oferece para receber em 2023 a reunião anual do Fórum de Cooperação Econômica Asia-Pacífico (APEC), que inclui China e Estados Unidos.

Durante o último dia da visita a Singapura, ela se reunirá com empresários para discutir temas comerciais, incluindo a escassez mundial de microchips, antes de viajar para Hanói.

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