Kanye West não poderá vender as camisetas com a inscrição ‘Vidas brancas importam’

Demitido por sua agência de talentos e dispensado por vários de seus patrocinadores, após uma série de atitudes polêmicas (entre as quais, falas antissemitas), o rapper Kanye West, também conhecido como Ye, agora pode enfrentar mais um dissabor comercial: ele não poderá comercializar as infames camisas com a inscrição “White lives matter” (“Vidas brancas importam”, um ataque ao movimento Black Lives Matter), apresentadas mês passado no desfile de sua grife, Yeezy, na Semana de Moda de Paris.

A razão? Graças a uma engenhosa ação legal, os direitos sobre a frase pertencem a dois homens negros que de forma alguma a liberarão para West.

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Conforme relatou a rede de notícias negras Capital B, um ouvinte anônimo do programa de rádio Civic Cipher, de Phoenix, no estado americano do Arizona, solicitou a propriedade da frase “White lives matter” em um esforço para mantê-la longe das mãos erradas. Logo em seguida, esse ouvinte presenteou os apresentadores da Civic Cipher Ramses Ja e Quinton Ward com os direitos exclusivos sobre a frase e a autorização para processar qualquer pessoa que tente usá-la para obter ganhos financeiros.

“Segundo a lei, ou você toma posse das frases ou elas ficam disponíveis para as pessoas ganharem dinheiro”, disse Ja (que fundou seu programa com Ward após o pico dos protestos do Black Lives Matter, em 2020) ao Capital B. "Essa pessoa que adquiriu a frase não gostava muito de possuí-la, porque o objetivo não era necessariamente ficar rico com isso; o objetivo era garantir que outras pessoas não ficassem ricas com essa dor. Ela sentiu que estávamos em uma posição muito mais pública para usar isso em benefício dos negros”.

Caso Kanye West tente comprar os direitos autorais de Ja e Ward, ele deve enfrentar dificuldades financeiras: suas parcerias com a Gap, JP Morgan Chase, Balenciaga e Adidas foram todas cortadas, depois de seus comentários antissemitas.