Kassab confirma que PSD deve integrar base de Lula e defende reeleição de Lira à presidência da Câmara

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, organizou um jantar em Brasília, nesta terça-feira, que reuniu correligionários e o presidente da Câmara e candidato à reeleição, Arthur Lira (PP). A legenda terá a sexta maior bancada da Casa em 2023, com 42 deputados. Ao fim do encontro, o cacique partidário deixou claro que a legenda está a um passo de integrar a base de apoio do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e declarou apoio a Lira na disputa pelo comando da Câmara.

— Existe, sim, um encaminhamento para integrar a base de Lula. E isso vai se consolidar ao longo do tempo, nos próximos passos. Nós estaremos representados por essa aliança pela governabilidade — disse Kassab.

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Nesta terça-feira, o PSD confirmou os nomes da legenda que farão parte do governo de transição. Além do líder na Câmara, Antonio Brito (BA), participarão dos trabalhos os senadores Otto Alencar (BA), Omar Aziz (AM), Carlos Fávaro (MT) e Alexandre Silveira (MG).

Já Lira aproveitou a presença de vários eleitores em potencial, visto que grande parte dos 60 convidados era de parlamentares do PSD, para dar boas-vindas aos recém-eleitos e dizer que vai tratar com respeito o governo de Lula. Aliado do presidente Jair Bolsonaro, Lira lembrou ainda que foi um dos primeiros a reconhecer publicamente a vitória do petista nas urnas, num pronunciamento ainda na noite de domingo, logo após o segundo turno.

O presidente do PSD também defendeu a postulação de Lira na Câmara e do correligionário Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para continuar à frente do Senado. Afirmou que as duas candidaturas dariam "estabilidade" à relação entre poderes.

— Saímos de um processo bastante, não digo traumático, mas bastante duro, de enfrentamento muito duro, de duas candidaturas fortes (Bolsonaro e Lula). Acho que, se puder prevalecer um consenso nas duas Casas, é positivo. Não tenho por que não dizer que a recondução de Lira e Pacheco possam ser fatores importantes para a estabilidade das relações, num primeiro momento, do Congresso com o Executivo — afirmou Kassab.

Paes pegará 'pesado'

Durante o jantar, regado a bacalhau e vinho tinto, o discurso mais enfático a favor de Lula veio do prefeito do Rio, Eduardo Paes, que foi a Brasília apenas para participar do encontro.

— Agora é a hora de estar a favor do Brasil. Não tenho dúvida de que isso é estar na base do presidente Lula, criando consensos mínimos — disse Paes aos colegas de partido.

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Questionado pelo GLOBO se teria algum encontro com Lula nos próximos dias, Paes disse que só deverá acioná-lo após a posse, para buscar recursos para o município do Rio.

— Eu só vou procurar o Lula depois de um mês e meio, dois meses de governo. Já falei para ele ficar com a canetinha dele cheia de dinheiro porque eu vou pedir pesado. Lá para fevereiro, vou tomar uma cervejinha com ele, num sambinha, levo para o Carnaval, e começo a pedir. Na hora que pedir, tadinho, aí que nós vamos ter a verdadeira crise da República — brincou o prefeito.

Após deixar o jantar, Lira não quis detalhar o encontro que teria com Lula nesta terça-feira. Disse apenas que seria uma reunião "institucional". Em ritmo de campanha, afirmou ainda que teria "mais três jantares" durante a noite.