Kast e Boric moderam o tom no início da campanha para o segundo turno no Chile

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O ultradireitista José Antonio Kast e o esquerdista Gabriel Boric moderaram nesta terça-feira (23) seus discursos em busca de atrair os votos do centro, no início da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais no Chile.

Kast e Boric foram a campo, concentrados em abordar os temas frágeis de suas campanhas com vistas ao segundo turno de 19 de dezembro, após saírem vitoriosos do primeiro turno no domingo, no qual Kast, advogado e ex-congressista conservador obteve 28% dos votos, à frente do jovem deputado esquerdista Boric, com 25%.

Boric, que perdeu para Kast particularmente em setores pobres e rurais, esteve nesta terça-feira na comuna popular de La Pintana, no sul de Santiago, onde anunciou a incorporação de um reconhecido especialista em segurança civil, Eduardo Vergara. Já o candidato conservador tirou proveito de sua promessa de "ordem e segurança" depois de dois anos turbulentos no país, após a convulsão social de 18 de outubro de 2019.

"Estou aqui para nos encarregarmos desta situação: as forças progressistas têm que abordar com muito mais decisão o que importa aos chilenos e chilenas (...), que é poder viver em paz; querem segurança e nós vamos garantir-lhes segurança", afirmou Boric, de 35 anos, idade mínima para disputar a Presidência do Chile.

"Queremos fazer as mudanças com tranquilidade e gradualmente", acrescentou o ex-líder estudantil.

Boric também somou um importante apoio à sua campanha: o da candidata da Democracia Cristã, Yasna Provoste, que ficou em quinto lugar no primeiro turno, com 11% dos votos.

"Em 19 de dezembro, vou votar em Gabriel Boric", disse a senadora, que na noite de domingo tinha mostrado uma posição mais comedida em relação ao seu apoio ao jovem deputado. "As e os democratas não podemos ter posições ambíguas", enfatizou nesta terça-feira.

Provoste representa a coalizão de partidos de centro esquerda que governaram o Chile por grande parte dos últimos 31 anos de democracia, após o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).

Mais cedo, a presidente do Partido Democrata Cristão, Carmen Frei, afirmou que vai propor que seu partido apoie formalmente a candidatura de Boric.

- Estado organizado e eficiente -

A eleição de domingo teve 47% de participação do colégio eleitoral, de cerca de 15 milhões de pessoas.

Virada a página do primeiro turno, no qual disputaram sete candidatos, os votos de centro são chave para a definição do segundo turno.

Kast e Boric vão tentar atrair em especial os eleitores de Franco Parisi, um economista populista que surpreendeu ao se situar em terceiro lugar sem ter pisado no Chile durante a campanha eleitoral e fazendo campanha pelas redes sociais.

Parisi disse que iria fazer uma consulta digital para decidir seu apoio no segundo turno, mas analistas avaliam que seus eleitores sejam basicamente cidadãos antissistema, cujos votos são difíceis de transferir.

A ultraconservadora União Democrata Independente (UDI) já confirmou seu apoio "sem condições" a Kast depois que seu candidato, o liberal Sebastián Sichel, ficou em quarto lugar, com 12% dos votos.

Nesta terça-feira, o candidato conservador se reuniu com líderes de um comitê habitacional da comuna de Maipú, na periferia de Santiago.

"Estamos em um setor humilde, rural, que requer um Estado organizado e eficiente", reforçou Kast, que fez da ordem e da segurança a coluna vertebral da campanha que o levou a liderar as eleições de domingo.

"Sou uma pessoa que tolera e respeita a democracia", acrescentou o candidato, que durante a campanha tentou se desvincular de sua admiração pela ditadura de Pinochet, que deixou 3.200 mortos e desaparecidos.

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