Kathlen lamentou 1 mês da chacina do Jacarezinho horas antes de ser morta

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A demonstrator holds up a sign that reads Stop killing us during protest against racism, police violence and the operation that took place in the Jacarezinho favela in Rio de Janeiro, on the day that marked 133 years since the abolition of slavery in the country, in Sao Paulo, Brazil, May 13, 2021. (Photo by Felipe Beltrame/NurPhoto via Getty Images)
Um manifestante segura uma placa que diz "Pare de nos matar" durante o protesto contra o racismo, a violência policial e a operação ocorrida na favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, no dia que marcou 133 anos da abolição da escravidão no país, em São Paulo, Brasil, 13 de maio de 2021. (Foto de Felipe Beltrame / NurPhoto via Getty Images)

Horas antes de ser morta durante uma ação da PM (Polícia Militar) na comunidade Lins do Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro, a jovem Kathlen Romeu, de 24 anos, fez uma postagem nas redes sociais lamentando o marco de um mês da chacina no Jacarezinho, na capital fluminense. 

A design de interiores postou o vídeo "Chacina do Jacarezinho, um mês", produzido pela organização LabJaca, um laboratório de dados e narrativas na favela do Jacarezinho. 

A jovem morreu após ser atingida por um disparo de arma de fogo durante uma operação policial na tarde de terça-feira (8) na Vila Cabuçu, em um dos acessos à comunidade Lins do Vasconcelos, na Zona Norte do Rio.

Postagem relembrando a data foi feita por Kathlen horas antes de ser morta durante uma ação da PM no Lins de Vasconcelos. (Foto: Reprodução/Instagram/@eukathlenromeu)
Postagem relembrando a data foi feita por Kathlen horas antes de ser morta durante uma ação da PM no Lins de Vasconcelos. (Foto: Reprodução/Instagram/@eukathlenromeu)

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Kathlen foi levada para o Hospital municipal Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga a morte de Kathlen. 

Quase 700 mulheres foram baleadas desde 2017 no RJ

De 2017 para cá, quase 700 mulheres foram baleadas na Região Metropolitana do Rio. O levantamento consta na plataforma de dados Fogo Cruzado, e contabiliza tanto as vítimas baleadas em operação quanto as de homicídios.

Ao todo, foram 681 mulheres atingidas por disparos de arma de fogo, das quais 258 morreram. De 2017 para cá, 15 vítimas baleadas estavam grávidas; oito morreram.

Não só Kathlen - relembre outros casos de mulheres atingidas:

  • Karolayne Nunes de Oliveira, 19, foi morta durante um tiroteio no Complexo do Alemão, em janeiro de 2018 e estava grávida de 5 meses.

  • Dandara Damasceno de Souza, 21, foi atingida por um tiro no rosto na Vila Vintém, em março de 2018. Ela foi socorrida ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, mas já chegou ao hospital morta.

  • Maiara Oliveira da Silva, 20, grávida de 5 meses, foi baleada durante troca de tiros no Complexo da Maré, em outubro de 2020. A vítima perdeu o bebê.

Bebês também foram mortos em operações da polícia

Ainda de acordo com a plataforma do Fogo Cruzado, 10 bebês foram baleados quando ainda estavam na barriga da mãe. Somente um deles sobreviveu.

Enquanto os tomadores de decisão não cumprem o papel de garantir vida para a população mais pobre e vulnerável do país, assistimos, atônitos, a bala acertar em cheio nossos corpos e sanidade. (Foto: Reprodução/Instagram)
Kathlen foi morta durante uma ação policial no Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio. (Foto: Reprodução/Instagram)

Em abril de 2019, uma grávida de 8 meses foi baleada na barriga em Costa Barros. A bala atingiu a cabeça do bebê.

Outro bebê também morreu antes de nascer em julho de 2017, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Claudineia dos Santos Melo, grávida de 39 semanas, foi baleada indo ao mercado, quando foi atingida.

Relembre a chacina no Jacarezinho, a mais letal da história do RJ

A operação policial no último dia 6 na comunidade de Jacarezinho, no Rio de Janeiro, deixou 28 mortos. A chacina ganhou destaque internacional e motivou protestos por todo o país, além de um requerimento para que a ONU investigue o caso.

Considerada a mais letal da história da cidade, ação ocorreu após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu operações em comunidades durante a pandemia.

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