Kaysar sobre viver terrorista em ‘Carcereiros’: ‘Foi só um trabalho, não um problema’

Naiara Andrade

É o que muita gente pensa, mas a estreia de Kaysar Dadour como ator não aconteceu na novela “Órfãos da terra” — vencedora na categoria Soaps or Telenovelas do prestigioso prêmio Rose D’Or Awards, em Londres, no último domingo. Foi no filme “Carcereiros” que o estrangeiro lançado à fama no “BBB 18” exercitou, pela primeira vez, sua porção ator, antes de interpretar o capanga Fauze na novela das seis. No longa-metragem, em cartaz nos cinemas, ele é o perigoso terrorista internacional Abdel. Sua transferência para o presídio onde trabalha Adriano (Rodrigo Lombardi) aumenta a tensão no lugar, que já vive dias de terror por conta da luta entre duas facções criminosas.

— Belmonte (José Belmonte, diretor) me pediu um teste. Fiz e passei. Fiquei muito nervoso, não posso negar. Foi minha primeira vez atuando, e ainda com nomes tão grandiosos! Rodrigo Lombardi, Jackson Antunes, Toni Tornado... Estar ao lado deles era muita responsabilidade — lembra Kaysar: — Mas tive tanto apoio! De Rodrigo, então... Viramos amigos.

Lombardi é só elogios para o colega estreante e nega qualquer desconforto em atuar com um ex-participante de reality show, sem noção de como funcionava um set de filmagens.

— Não sei receber ninguém mal. Se está ali com a gente, é pra somar, pouco me importa de onde veio — afirma, completando: — Eu ajudei Kaysar, sim, mas garanto que ele me ajudou muito mais. Se alguém foi generoso, esse alguém foi ele, que se abriu, não se travou numa ideia preconcebida. Kaysar chegou soltinho e reagiu muito bem às coordenadas passadas. Ele é uma grata surpresa como ator! Fez o filme, a novela, e acho que vai ter uma carreira longa, se quiser.

Preconceito é palavra que passa longe do dicionário do refugiado sírio, que trouxe toda a família para morar no Brasil, longe da guerra. Nem mesmo o estereótipo do papel o incomodou.

— Muita gente criticou: “Kaysar, você já é do Oriente Médio... Vai fazer um terrorista?”. Eu acho que qualquer pessoa que tenha pensamento radical ou preconceituoso, que não aceita o diferente, vira terrorista. Para mim, foi só um trabalho, não um problema. Se interpreto um bandido no cinema ou na TV, não quer dizer que sou um — sublinha o ator, de 30 anos, que tem no carisma e na simpatia pontos altos de sua personalidade.