Keiko Fujimori, entre a cadeira presidencial e o banco dos réus

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A candidata presidencial do Força Popular, Keiko Fujimori, durante entrevista coletiva em Lima em 7 de junho de 2021

O futuro da candidata de direita Keiko Fujimori oscila entre a cadeira presidencial e o banco dos réus conforme se aproxima o resultado final do segundo turno que ela disputou com Pedro Castillo, de esquerda, cuja contagem oficial mantém o Peru em suspense.

A filha do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), que está preso, parecia cada vez mais perto da derrota com 98,3% das urnas apuradas, que dão a ela 49,7% dos votos contra 50,2% de seu adversário.

A esperança de reverter o resultado desfavorável através da impugnação a algumas seções eleitorais é uma das últimas cartas ao seu alcance, disse uma fonte próxima à AFP.

O paradoxo é que à medida que diminui sua possibilidade de ser a primeira mulher presidente do Peru, cresce a ameaçadora sombra de um julgamento por suposta lavagem de dinheiro em caso vinculado ao escândalo da Odebrecht, que pode condená-la a 30 anos e 10 meses de prisão.

“Há muito em jogo se ela perder, porque terá que avaliar se se aposenta e o julgamento virá. Temo que o fujimorismo vá se desmembrar”, afirmou à AFP o analista Augusto Álvarez, colunista do jornal La República.

Se ganhar a presidência, Fujimori terá imunidade e só poderá ser julgada quando terminar seu mandato de cinco anos.

Isso não impedirá o início do julgamento, que também inclui seu marido, o norte-americano Mark Vito Villanella, para quem foram pedidos 22 anos e 8 meses de prisão.

A data de início do julgamento oral está vinculada ao resultado eleitoral, segundo fontes judiciais.

"O dilema entre a cadeira presidencial ou o banco dos réus é complicado porque o sistema judicial não é muito confiável, especialmente se houver um governo extremista no poder que vai pressionar por uma condenação injusta", disse Fernando Rospigliosi à AFP, assessor de segurança durante a campanha.

O Ministério Público chegou a pedir a dissolução do partido fujimorista, o Força Popular, caso um tribunal condene a líder de direita.

O Força Popular obteve 24 assentos de um total de 130 da nova legislatura no Congresso, que tomará posse em 28 de julho.

“Já sabemos o que está acontecendo na América do Sul, já vimos o que aconteceu na Venezuela, eles capturam todo o sistema”, acrescentou, questionando a autonomia do sistema judiciário.

- Sob pressão -

A filha mais velha do ex-presidente Alberto Fujimori, de 46 anos, casada e com duas filhas adolescentes, pôde se candidatar apesar de ter no sapato a pedra de uma denúncia do Ministério Público por supostamente receber dinheiro ilegal da construtora brasileira Odebrecht para suas campanhas de 2011 e 2016, acusações que ela nega.

A lei peruana impede que os condenados judicialmente concorram a cargos públicos, mas não os que estão sendo investigados.

Ela já passou 16 meses em prisão preventiva por este caso, até ser libertada em maio de 2020 devido à pandemia. Um tribunal a proibiu de viajar para fora do Peru.

A prisão e a crise que atingiu seu monolítico partido com o escândalo da Odebrecht a enfraqueceram, mas ela conseguiu se recuperar para esta eleição polarizada contra Castillo.

"Estamos em uma semana crucial, com tudo em jogo. Foi uma lição traumática para Keiko Fujimori, sem dúvida", acrescentou Alvarez.

A Procuradoria, que se prepara para levá-la a julgamento, anunciou em 11 de março que pediria pena de 30 anos e 10 meses de prisão pelos supostos crimes de lavagem de dinheiro e obstrução à justiça, entre outros.

Em maio, o juiz Víctor Zuñiga negou a ela permissão para visitar o Equador em uma conferência internacional sobre democracia a convite do ganhador do Prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa.

O escritor apoiou sua candidatura por considerá-la o "mal menor", segundo ele, diante do perigo de Castillo converter o Peru ao socialismo como ocorreu na Venezuela.

- Odebrecht e Fujimori -

Após 28 meses de investigação com ramificações no Peru e no Brasil, o Ministério Público peruano concluiu que Keiko Fujimori financiou suas campanhas de 2011 e 2016 com dinheiro da Odebrecht não declarado.

O procurador do caso, José Domingo Pérez, acusou outras 41 pessoas por delitos de "crime organizado, lavagem de dinheiro, obstrução à justiça, falsa declaração em procedimentos administrativos".

A Procuradoria obteve, no final de 2019, depoimento de um ex-executivo da Odebrecht, Luiz Eduardo da Rocha Soares, que teria confirmado o aporte de um milhão de dólares da empresa para a campanha da líder do Força Popular em 2011.

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