Acadêmico que entregou dados à Cambridge Analytica diz que eram "imprecisos"

Londres, 24 abr (EFE).- O acadêmico que obteve dados de milhões de usuários do Facebook para a firma britânica Cambridge Analytica, Aleksandr Kogan, afirmou nesta terça-feira perante um Comitê do Parlamento britânico que eram "muito imprecisos" e não poderiam ter sido utilizados para influenciar nos eleitores em uma campanha eleitoral.

Deputados do comitê de Assuntos Digitais, Cultura, Veículos de Imprensa e Esportes da Câmara dos Comuns interrogaram o especialista da Universidade de Cambridge sobre o escândalo sobre o suposto uso de dados obtidos de forma ilícita que poderiam ter beneficiado a campanha do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"Sobre a ideia de que esses dados são precisos, diria que é cientificamente ridícula", disse Kogan, que afirmou que as ferramentas que o Facebook disponibilizam das empresas para mostrar anúncios a um público específico são "mais efetivos" que seu método para obter informação de usuários.

O acadêmico enviou um teste de personalidade a cerca de 200 mil americanos, registrou suas respostas, e foi capaz de armazenar ao mesmo tempo dados relativos a todos os contatos no Facebook dessas pessoas que não tivessem protegido de forma explícita essa informação.

Em sessões anteriores da investigação aberta pelo Parlamento britânico, os antigos funcionários da Cambridge Analytica Christopher Wylie e Brittany Kaiser asseguraram que a firma colaborou com campanhas de Trump e do republicano Ted Cruz nos Estados Unidos, e que manteve contatos com grupos que fizeram campanha pelo "Brexit" no Reino Unido.

Em entrevista coletiva realizada após o comparecimento de Kogan nos Comuns, um porta-voz da Cambridge Analytica, Clarence Mitchell, sustentou que os dados fornecidos por Kogan à firma eram "virtualmente inúteis".

Mitchells disse que a companhia apagou todas as informações que obteve através do Facebook e argumentou que suas atividades são similares às realizadas por outras empresas.

"A análise de dados é usada de forma habitual" em campanhas propagandistas e é "perfeitamente legítimo", concluiu o porta-voz da Cambridge Analytica. EFE