No Japão, Obama destaca dificuldades de negociar com Coreia do Norte

Tóquio, 25 mar (EFE).- O ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama destacou neste domingo as dificuldades de negociar com a Coreia do Norte para conseguir sua desnuclearização e apostou em manter a pressão internacional sobre o regime norte-coreano, durante seu discurso em um fórum no Japão.

Obama avaliou assim o atual cenário de distensão nas relações com Pyongyang, que mostrou sua vontade de dialogar com os EUA para discutir sua desnuclearização em uma cúpula prevista para maio entre o líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente americano, Donald Trump.

O ex-líder democrata afirmou que é "difícil" o regime aceitar se desnuclearizar devido ao fato de o já elevado nível de isolamento da Coreia do Norte fazer com que o país "esteja menos sujeito" à pressão que possa sofrer nas negociações.

"A Coreia do Norte é o maior exemplo de um país que se afastou totalmente da comunidade internacional e que está completamente desligado do resto do mundo", disse Obama no fórum "Líderes de opinião", organizado em Tóquio por uma ONG local.

O ex-presidente destacou a necessidade de Japão, Coreia do Sul, EUA e China continuarem "trabalhando juntos" e exercendo toda a pressão possível sobre a Coreia do Norte.

"Até agora não vimos os progressos que gostaríamos de conseguir, mas acredito que o importante é reconhecer que nenhum país pode resolver este problema individualmente", afirmou Obama.

O ex-presidente americano também destacou que a Coreia do Norte "constitui uma ameaça real" ao mundo e afirmou que sua visão "sempre foi a de resolver o assunto de forma pacífica".

Por outro lado, admitiu que será difícil conseguir um mundo livre de armas nucleares enquanto EUA e Rússia não aceitarem começar a reduzir seus arsenais.

Obama também lembrou sua histórica visita a Hiroshima em 2016, a primeira de um presidente americano a esta cidade japonesa, atacada com a bomba atômica ao término da II Guerra Mundial.

"Foi um momento extraordinariamente poderoso para mim", afirmou Obama, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2009 por defender a desnuclearização global e por seus esforços para promover a diplomacia e a cooperação entre os povos.

Antes de participar do fórum, o americano almoçou com o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, em um encontro destinado a "manter a amizade" entre ambos os líderes cultivada ao longo de reuniões anteriores, segundo o Executivo japonês.

Obama viajou a Tóquio no marco de uma excursão de caráter privado que o levou anteriormente a Cingapura, Nova Zelândia e Austrália. EFE

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