Trump proporá pena de morte para traficantes de drogas opiáceas

Washington, 18 mar (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelará nesta segunda-feira um plano para combater a epidemia de dependência a analgésicos opiáceos no país, que inclui uma proposta para endurecer as sentenças dos narcotraficantes e a imposição da pena de morte para alguns deles, informou neste domingo a Casa Branca.

Trump e sua esposa, Melania, visitarão amanhã New Hampshire, o terceiro estado com a maior proporção de overdose de opiáceos do país, atrás de Virgínia Ocidental e Ohio, para apresentar uma estratégia contra o problema, que mata 175 americanos a cada dia.

Sob esse plano, "o Departamento de Justiça buscará a pena de morte contra os narcotraficantes quando seja apropriado pela lei atual", antecipou a Casa Branca em comunicado.

Concretamente, a Casa Branca fala de quem trafica opiáceos, que podem ser obtidos com receita ou no mercado negro, e também fentanil, um analgésico que costuma ser destinado ao tratamento do câncer, mas que nos últimos anos foi usado por grupos criminosos para aumentar a potência da heroína.

Além disso, Trump pedirá ao Congresso para aprovar uma lei que "reduza a quantidade mínima de drogas necessárias para invocar as sentenças mínimas obrigatórias para os narcotraficantes que, com pleno conhecimento, distribuam certos opiáceos ilícitos que são letais em pequenas doses", indicou a Casa Branca.

Os crimes relacionados com drogas nos EUA são julgados atualmente de acordo com uma lei de sentenças mínimas de 1986, que estabelece penas de até 20 anos de prisão para pequenos traficantes de drogas, e reserva a prisão perpétua para casos especialmente graves.

No início deste mês, Trump já deixou entrever que apoiava a pena de morte para os narcotraficantes e, segundo informações de imprensa, se inspirou para isso nas políticas de Cingapura.

"Alguns países têm uma pena muito, muito dura, a pena mais dura possível. E, claro, têm muitos menos problemas com as drogas que nós", disse no último dia 1º de março o presidente americano, que também elogiou a luta contra as drogas de seu homólogo das Filipinas, Rodrigo Duterte, apesar de suas execuções extrajudiciais.

O plano da Casa Branca também inclui "relacionar-se com a China e aumentar a cooperação com o México para reduzir o fornecimento de heroína, outros opiáceos ilícitos, e precursores químicos".

Além disso, procura acabar com a venda de opiáceos pela internet, e reforçar a unidade do Departamento de Justiça dedicada a esse tema.

Outro dos objetivos do plano é reduzir em um terço as receitas de analgésicos opiáceos elaboradas pelos médicos do país em um prazo de três anos, dado que esses remédios levam muitos pacientes a gerar uma dependência que pode desencadear no uso da heroína, mais barata no mercado negro.

A Casa Branca quer, além disso, apoiar o desenvolvimento de uma vacina que permita "prevenir a dependência aos opiáceos" e de opções de gestão da dor "que não sejam viciantes".

Nos últimos seis anos as mortes por overdose se transformaram na causa mais comum de morte violenta nos EUA, na frente dos acidentes de trânsito ou das armas.

Segundo dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), 64.000 pessoas morreram em 2016 por overdose de opiáceos (incluindo a heroína) nos EUA, o que significa a morte de sete pessoas a cada hora. EFE