Popularidade de Abe despenca em sua pior crise por caso de corrupção

Tóquio, 19 mar (EFE).- A popularidade do primeiro-ministro do Japão, o conservador Shinzo Abe, caiu para o nível mais baixo desde que ele chegou ao poder em 2012, devido a seu suposto envolvimento em um caso de corrupção que o levou a dar explicações nesta segunda-feira no parlamento.

O índice de aprovação do governo Abe caiu cerca de dez pontos depois que o Ministério das Finanças admitiu há uma semana que documentos relacionados com uma venda vantajosa de um terreno estatal foram manipulados, segundo várias pesquisas publicadas hoje.

O número chega a 31% no caso da pesquisa realizada pelo jornal "Asahi", enquanto a da emissora "Nippon TV" situa a aprovação do governo em 30,3%, o pior nível em mais de cinco anos de governo Abe e menos da metade dos 66% alcançados em 2013, quando começaram a ser percebidos os efeitos do "Abenomics", a estratégia de crescimento econômico do primeiro-ministro.

A queda da popularidade do premiê japonês acontece em meio às suspeitas de que o governo abafou um suposto caso de corrupção no qual um terreno estatal foi vendido por um preço quase dez vezes menor que o de mercado para uma instituição educativa privada com vínculos com Abe e sua esposa, Akie.

A trama foi revelada em fevereiro do ano passado, mas tinha permanecido em segundo plano até que veio à tona a falsificação de documentos no princípio deste mês. O caso protagonizou hoje a sessão no parlamento, na qual Abe voltou a negar seu envolvimento e o de sua mulher na venda do terreno e na manipulação de documentos.

"Eu sequer conhecia a existência dos documentos do acordo (do Ministério de Finanças). Não poderia ter ordenado sua alteração", afirmou hoje Abe na sessão, em declarações veiculadas pela agência "Kyodo".

Segundo as pesquisas, mais da metade dos japoneses acreditam que Abe tem alguma responsabilidade na manipulação: 66,1% no caso do levantamento da "Kyodo" e 68% no realizado pelo jornal "Asahi".

A suposta venda que beneficiou a Moritomo Gakuen, uma instituição que já tinha gerado polêmica por promover ideias ultranacionalistas em seus centros, se transformou na pior crise para Abe e poderia colocar em risco sua reeleição em setembro para um terceiro mandado à frente do Partido Liberal Democrático (PLD), o que permitiria que ele voltasse a tentar a reeleição como primeiro-ministro até 2021. EFE

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